Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 30/12/2020

Entende-se que o Brasil possui um Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), na tentativa de reduzir a prevalência de fumantes e a consequente mortalidade relacionada ao consumo de derivados do tabaco. Todavia, é inegável que a indústria do fumo ainda permanece fortificada, inclusive no âmbito ilegal do comércio contrabandeado, alimentando danos para o cidadão e o Estado. Nesse sentido, vale ressaltar que os adolescentes são alvos favoráveis à epidemia do tabagismo, de modo que na realidade contemporânea as indústrias aproveitam-se destes indivíduos na passagem de um desenvolvimento da autonomia e identidade ao passo que induz o vício como fenômeno social. Assim, denota-se como ações postas à ótica social afetam a resolução do fumo no país.

Nesse cenário, é indubitável que a adolescência sofre ambivalência, isto é, o anseio pela independência sem a responsabilidade inerente a ela, concomitante ao desejo de ser aceito em um determinado grupo social. Nessa perspectiva, a psiquiatra Maria Célia Vitor pauta a curiosidade dos jovens como fator alarmante para o início de uma dependência à nicotina que pode prevalecer até a vida adulta.Ao evidenciar esse aspecto, é possível perceber que, o público mais jovem na busca por prestígio corre riscos; haja vista que o tabaco tem se apresentado sob diversas formas atrativas ao consumo. Dessa forma, ressalta-se a ineficácia de prevenir o início do uso do cigarro.

Outrossim, o tabaco foi um dos primeiros produtos a difundir marcas e comerciais com ações associadas a glamourização do fumo. No filme “Obrigado por Fumar”, o protagonista representa a personificação de empresas, conforme convence a sociedade de que o cigarro possuí benefícios e defende seu lucro num discurso baseado na liberdade de escolha, mas serve-se da publicidade como força motriz na alienação. Fora da ficção, verifica-se a capacidade persuasiva da mídia enquanto domina a livre iniciativa ao passo que induz a sociedade. Logo, os jovens estão superexpostos ao vício diante das propagandas, posto que, servem de gatilho para adentrarem a dependência do cigarro e tornarem-se passíveis dos malefícios.

Assim sendo, é possível constatar que o problema do tabagismo na vivência brasileira hodierna permeia concretos empecilhos. Destarte, urge que o Ministério da Justiça e Segurança Pública promova, por intermédio da Portaria MJ nº 1.189 de 2018, responsável pelas instruções sobre a Classificação Indicativa, as inclusões de cenas com indivíduos fumantes nas obras audiovisuais tenham restrições de idade, com o fim de minimizar as chances de influência para com adolescentes os tornando adultos viciados, comprometendo sua qualidade de vida de maneira cada vez mais precoce. Portanto, espera-se que com a prática de tal atitude o fumo caia no desuso em ressalvo das políticas. .públicas.