Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 24/12/2020

O filme “Bonequinha de Luxo”, lançado na década de 1960, retrata o consumo de cigarro como algo que intensifica o glamour das personagens. Fora da ficção, ainda que esse tipo de influência midiática ao fumo tenha caído em desuso, percebe-se que o tabagismo se mantém como um hábito no século XXI, o qual implica em diversas consequências nocivas ao corpo social. Assim, torna-se fulcral a discussão sobre as raízes dessa problemática, como a negligência estatal e a ignorância social.                 Primeiramente, é fundamental pontuar que o tabagismo deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que tange à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Nessa lógica, de acordo com o artigo 6º da Constituição Federal brasileira, é dever do Estado garantir à população o direito à saúde, no entanto, isso tem sigo negligenciado no país. Devido à falta de ação das autoridades em aumentar a taxação sobre o tabaco no Brasil, os cigarros chegam ao povo a preços muito acessíveis, o que facilita a manutenção do vício e, consequentemente, o desenvolvimento de distúrbios sérios como os cardiovasculares e cânceres. Isso se evidencia frente aos dados divulgados pelo IBGE, os quais mostram que os tais acometem mais de 300 mil pessoas por ano no país, tornando flagrante o descaso do poder público com os direitos sociais previstos na lei.

Além disso, é importante ressaltar que a desinformação contribui para a perpetuação do entrave. Nesse viés, segundo o filósofo alemão Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam o seu entendimento a respeito do mundo. Sendo assim, em virtude da escassez de veiculação de alertas em mídias sociais e escolas sobre os riscos do fumo, muitos indivíduos mantêm ou iniciam esse hábito pela falta de temor aos possíveis danos. Por conseguinte, há a perpetuação do vício em nicotina por pessoas de todas as faixas etárias, o que resulta não só em doenças, mas também no desenvolvimento cognitivo deficiente, uma vez que o cigarro afeta a capacidade de aprendizado, o que impacta todo o futuro de um indivíduo, seja na vida acadêmica, seja na profissional.

Dessa maneira, medidas exequíveis são urgentes para conter o avanço do tabagismo no século atual. Destarte, o Ministério da Saúde, em parceria com o MEC, deve promover campanhas que visem advertir a sociedade acerca dos malefícios advindos do fumo, como os problemas cardíacos e tumores. Isso se dará por meio das redes sociais oficiais do governo e mídia televisiva em horários nobres, de forma que profissionais da área da saúde explicitem a ação dos tóxicos do cigarro no organismo e os benefícios que o abandono desse costume trará à vida dos indivíduos. Outrossim, é primordial que os professores da área de ciências da natureza atuem nas escolas, ao alertar os alunos sobre esses afeitos negativos do hábito, para que aqueles não ingressem em seu consumo. Desse modo, o tabagismo será contido e os direitos resguardados pela Carta Magna brasileira serão efetivados.