Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 07/04/2021

“Que maravilha seria se ninguém precisasse esperar um único momento para melhorar o mundo”. Essa era a visão de vida perfeita idealizada por Anne Frank, ao escrever o seu diário em Amsterdã, pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial. No contexto atual, porém, a perpetuação do tabagismo revela um cenário distante dos sonhos. Isso se deve à histórica inabilidade estatal e à omissão da sociedade, o que prenuncia a necessidade de mudanças.

Em primeira análise, segundo o filósofo utilitarista Jeremy Bentham, o Estado deve governar de forma a proporcionar a felicidade ao maior número de indivíduos. No entanto, o Governo não cumpre o seu papel, uma vez que é escasso o número de campanhas e de centros de controle no combate ao tabagismo. Nesse sentido, diante de informações do Data Folha, é perceptível a ineficácia estamental ao revelar que a comercialização de cigarros têm sido intensificada em mais de 37%, enquanto que as campanhas de prevenção ao tabagismo diminuíram em cerca de 47% nos últimos 10 anos. Dessa forma, os problemas ligados a essa temática, como cânceres, ataques fuminantes e até a morte são as consequências da falta do descumprimento dos direitos civis por parte do Governo.

Vale ressaltar, ainda, que a omissão da sociedade é outro fator que está intrinsecamente relacionada com a intensificação do tagabismo no século XXI. Essa correlação pode ser comprovada pela fala do jurista Sílvio Brava, o qual declarou, em entrevista à revista Le Monde Diplomatique Brasil, que a problemática reside no silêncio da sociedade em não divulgar os efeitos nocivos de tais produtos e em não desmistificar o tabagismo-uma vez que ele ainda é visto de forma descolada. Nesse contexto, segundo pesquisas do jornal O Globo, é notório o desdobramento dessa temática ao elucidar que mais de 34% da população desconhece os efeitos nocivos do tabagismo e que em menos de 65% das famílias há algum debate conscientizador sobre ele. Dessa maneira, a população fica cada vez mais à mercê de infartos, pneumonias e doenças pulmonares, ocasionadas pela crise tabagista.

Portanto, a fim de mitigar essa problemática, é imperativo que o governo federal, como provedor do direitos sociais, invista, por meio dos impostos arrecadados nos grandes centros urbanos, em campanhas televisivas, as quais explorem as causas e consequências da perpetuação do tabagismo e da importância da atuação da sociedade nesse processo. Paralelamente, a sociedade, como membro formador da nação brasileira, deve, por meio de tal conscientização, tomar medidas que visem o combate ao tabagismo, a exemplo da divulgação de informações que demistifiquem o cigarro(como algo descolado) e da solidariedade em apoiar aqueles que estão em tratamento contra a nicotina. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada para ação e benefício de todos.