Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 28/12/2020
“Saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos”. Esse exerto do poema “Tabacaria”, de Fernando Pessoa, sintetiza a principal função do tabaco para os fumantes: a capacidade de aliviar a tensão e o estresse. Sob essa ótica, é possível compreender a predominância de viciados em nicotina nos países subdesenvolvidos como o Brasil, visto que o indivíduo submetido a cenário semelhante é constantemente pressionado pela instabilidade política, econômica e social, recorrendo ao cigarro como forma de escape da condição caótica de seu país. Portanto, tendo consciência da série de males do fumo para a saúde, é imprescindível oferecer outras alternativas para aliviar o sofrimento humano.
Em primeiro plano, é fundamental salientar que a condição psicológica do povo brasileiro, provocada pelo cenário nacional, é a principal causa para os altos índices de tabagismo no país. Dessa maneira, conforme apontado pela Organização Mundial da Saúde em 2019, o Brasil é o país com a maior população ansiosa do mundo. Porém, isso não se deve ao acaso, já que os constantes casos de corrupção, crises econômicas e violência extrema divulgados nos diversos meios de comunicação contribuem na formação de um sentimento de incerteza generalizado na sociedade. Sendo assim, se a população não for psicológicamente assistida, a sensação de insegurança é substituída pelo vício auto-destrutivo do fumo.
Dessa forma, é crucial a ação governamental, segundo seu dever constitucional, na solução da problemática. Assim, conforme definido na Constituição Federal, o Sistema Único de Saúde (SUS), instituição estatal, tem a obrigação de tratar direta e indiretamente da saúde popular. Isso posto, a saúde pública deve se preocupar não somente com o tratamento direto dos dependentes de tabaco, mas também com a condição psicológica da população, para que não sintam-se tentados pelo cigarro em condições difíceis, previnindo, assim, que desenvolvam outras enfermidades, como doenças respitatóras e impotência sexual.
Infere-se, portanto, a crucialidade do tratamento psicológico como forma de combate ao tabagismo. Logo, cabe ao Poder Legislativo, por meio da aprovação de um projeto de lei, restringir a publicação de notícias psicologicamente impactantes na grade horária televisiva, limitando-as somente aos horários após às 21 horas, a fim de reduzir a sensação de que há caos desenfreado no país, apaziguando o sentimento de insegurnança popular. Outrossim, o SUS deve promover campanhas de adimissão de mais psicólogos aos seus centros médicos, com o objetivo de oferecer o máximo de assistência à sociedade. Só assim, será possível que a população utilize de formar alternativas para libertar-se dos pensamentos de insegurança, assim, inutilizando o cigarro e eliminado seus melefícios.