Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 29/12/2020
No poema “Tabacaria” do poeta Fernando Pessoa, o autor afirma ter a capacidade de saborear, no cigarro, a libertação de todos os seus pensamentos. Conquanto, no cenário atual brasileiro, o ato de fumar venha se reduzindo, parcela expressiva da populção ainda associa a prática ao sentimento de prazer descrito pelo poeta. Nesse sentido, tal persistência no uso da droga ocorre em razão da aderência, cada vez maior, dos jovens e contribui para o descompasso da economia nacional. Diante dessa perspectiva, convém analisar quais fatores favorecem essa problemática.
Mormente, é imperioso ressaltar que os jovens são mais vulneráveis a pratica de modismos, devido à superexposição as redes sociais, cinema, televisão e a influência de amigos. Nesse contexto, as novas variações do tabaco, como exemplo o narguilé e o cigarro eletrônico, este com uma diversidade de sabores, para ficar mais atraente ao público em questão, favorece a inserção precoce no hábito de fumar. Sob mesmo viés, tal problema é potencializado, de certa forma, pela crença equivocada de que esses produtos são inofensivos ante o cigarro comum, porém ambos possuem substâncias tóxicas e nicotina, a qual causa dependência.
Sob outro ângulo, além de o tabaco causar doenças tanto para os fumantes ativos, quanto para os passivos, como canceres e problemas respiratórios, a indústria do tabaco não fornece imposto suficiente para cobrir os gastos públicos com o Sistema Único de Saúde, o que gera prejuízos em escalas alarmantes. Segundo o Portal R7, em 2017, o Brasil gastou mais de 56 bilhões com despesas causadas por cigarro, seja pela perda de produtividade da população economicamente ativa, afetada em razão das doenças, seja pelos custos diretos com os tratamentos. Logo, faz-se substancial a alteração desse quadro caótico de forma urgente.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que combatam esses obstáculos. Dessarte, com o intuito de mitigar o tabagismo no Brasil, precisa-se de esforços sinérgicos de Ministério da Economia juntamente a Anvisa. Para tanto, esta deve atenuar o impacto nocivo do tabagismo ao proibir a adição de sabores diferentes nos cigarros, objetivando a redução da aderência de jovens às práticas do fumo. Enquanto aquele deve reduzir as despesas da União frente as doenças causadas, aumentando, consideravelmente, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) nos diversos tipos de cigarro, para que a compra seja reduzida e a arrecadação por unidade de produto seja maior. Desse modo, atenuar-se-á o uso da droga lícita, e a população brasileira, diferente dos versos de Fernando Pessoa, hão de libertar todos os seus pensamentos do cigarro.