Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 29/12/2020
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao tabagismo. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da busca por prazeres instantâneos e da cultura de valorização ao cigarro propagada pelos veículos midiáticos.
Diante desse cenário, é relevante analisar a busca por satisfação como principal impulsionador do vício no consumo de cigarros no Brasil. De acordo com o Hedonismo, filosofia grega, o prazer é o bem supremo da vida humana. Nessa perspectiva, a busca por contentamentos instantâneos é justificada como o sentido da vida moral. No entanto, essa busca caracteriza-se como um agravador na questão do tabagismo no país, atuando fortemente em sua base. Dessa forma, não é razoável que o prazer momentâneo de um cigarro dê lugar ao câncer de pulmão, a enfisema pulmonar e a diversas doenças letais, que, por sua vez, colocam grande pressão sobre os hospitais públicos do Brasil.
Outrossim, deve-se perceber a cultura de valorização do fumo como agravador do problema. Nesse sentido, segundo o sociólogo e ativista Herbert José, “um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência; muda sim pela sua cultura”. Sob essa lógica, a influência midiática introduziu, no passado, a imagem do cigarro associada à qualidades como charme, elegância e poder, de forma a manipular aos interlocutores ao consumo e a garantir o lucro- práticas designadas pelos filósofos da Escola de Frankfrurt por “Indústria Cultural”. Isso pode ser exemplificado, inclusive, por séries atuais, como “Peaky Blinders”, em que o personagem principal, Thomas Shelby, caracterizado por sua postura forte de liderança, encontra-se, constantemente, fumando.
Portanto, faz-se mister que o Estado tome medidas que atenuem o problema. Assim, urge ao Ministério da Educação, com o apoio de ONGs especializadas, desenvolver ações que revertam à má influência midiática sobre o tabagismo. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do fumo, independente dos prazeres gerados pelo ato. Desse modo, espera-se que a população brasileira seja capaz de tomar decisões racionais, e não ser escrava dos vícios e do hedonismo.