Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 02/01/2021
Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da Física, é possível perceber a mesma condição no que concerne ao problema do tabagismo no século XXI, que segue sem uma intervenção que o resolva. Dessa forma, observa-se que o uso do cigarro reflete um cenário desafiador, seja em virtude de questões políticas, seja pela lenta mudança na mentalidade social.
Em primeiro plano, é incontestável que os aspectos políticos estejam entre as principais causas da problemática. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra ‘‘Contrato Social’’, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar coletivo. No entanto, nota-se, no Brasil, que a ausência de medidas governamentais de combate ao tabagismo rompem com as ideias do filósofo iluminista. Mediante dados divulgados pelo IBGE, o tabaco deixa cerca de 800 mil brasileiros doentes todos os anos, o que acende um alerta vermelho para a negligência estatal em criar mecanismos que coíbam tais recorrências, como a proibição da venda de cigarros em todo o território. Diante do exposto, é inaceitável que, em pleno século XXI, doenças evitáveis advindas do tabagismo aconteça, violando o que é exigido constitucionalmente.
Vale ressaltar, em segundo plano, a lenta mudança na mentalidade social como impulsionador do impasse. Conforme defendeu Maquiavel, ‘‘Mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes’’. A perspectiva do filósofo aponta para uma falha muito comum das sociedades: acreditar que a criação da lei em si pode resolver problemas complexos, como a questão do tabagismo. Assim, o que se verifica é uma insuficiência da legislação, se esta não vier atrelada a políticas públicas que ajam na base cultural do uso do cigarro, visto que, por muito tempo, propagandas foram usadas para incutir na mentalidade do corpo social uma imagem de status social elevado e fator de socialiazação, o que contribui para a permanência desse quadro deletério.
Logo, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço do tabagismo na sociedade brasileira. Para esse fim, o Tribunal de Contas da União, em parceria com o Ministério da saúde, deve direcionar capital para a criação de campanhas que informem sobre os prejuízos causados pelo tabaco, por meio da divulgação nas mídias, especialmente a radiofônica e a internet, de modo a mostrar casos reais de dependentes desse vício. Tais campanhas devem refletir, como objetivo, na diminuição de doenças causadas pelo tabagismo, como o câncer de pulmão, além conscientizar a população a procurar um acompanhamento profissional adequado. A partir dessas ações, espera-se a construção de um Brasil melhor.