Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 02/01/2021
Consoante o artigo 196 da Constituição Federal, a saúde é dreito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas públicas que visam à promoção, à sua prevenção e ao acesso universal e igualitário. Todavia, no que tange às campanhas contra o tabagismo, peça fundamental na promoção da saúde, há um enorme déficit. Desse modo, o tabagismo mantém-se, há anos, como um problema de saúde pública. Tal fato deve-se, principalmente, à mentalidade imediatista e fugaz dos indivíduos, que, por sua vez, encontram no cigarro um alento, e tem como consequência a alta mortalidade por doenças cardiovasculares.
Mormente, vale ressaltar que o estresse oriundo do cotidiano está diretamente relacionado com os altos índices de tabagismo. Segundo o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, na obra “Sociedade do Cansaço”, a rotina extenuante da sociedade hodierna induz os indivíduos a buscarem válvulas de escape, no intuito de manter um equilíbrio mental. Nessa perspectiva, o uso de drogas, como o cigarro, são maneiras que as pessoas encontram de tentar fugir das pressões familiares e corporativas do dia a dia. Dessarte, fica evidente a maior susceptibilidade dos jovens, visto que estão no início da carreira profissional e, por conseguinte, sob maior pressão.
Ademais, em decorrência do estresse contínuo e do uso constante de drogas, como o cigarro, um número enorme de indivíduos sofrem de doenças cardiovasculares, como infarto e hipertensão. As doenças cardiovasculares como aterosclerose, principal causa de infarto do miocárdio, e hipertensão são doenças crônicas e necessitam de longos períodos de exposição a fatores, como o cigarro, para se desenvolverem. Visto que a pressão por resultados é perene, o uso de substâncias que causam malefícios também é recorrente. Nesse cenário, dados do grupo de pesquisa do cientista Peter Libby, da Universidade de Harvard, demonstram que o tabagismo aumenta em 30% o risco de infarto do miocárdio. Assim, embora prazeroso no primeiro momento, o tabagismo pode causar sequelas graves a longo prazo.
Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Logo, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com os meios de comunicação, deve promover campanhas publicitárias, a fim de esclarecer a população sobre os risco do tabagismo. Essas campanhas devem ocorrer no rádio, na TV e nas mídias sociais, como Facebook e Instagram, para que diversas faixas etárias sejam alcançadas. Destarte, o direito constitucional será efetivado.