Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 04/01/2021

A obra cinematográfica “Bonequinha de Luxo” retrata a vida de Holly, uma acompanhante que sonha em ser atriz e casar com um milionário. Todavia, na intenção de fugir dos seus problemas, ela adquire o hábito de fumar, visto que tal ação era considerada um prestígio social do século XX. Fora da ficção, o Brasil apresenta problemas e consequências em relação ao tabagismo, no século XXI. Nesse seguimento, é nítido que o imediatismo e o silenciamento da imprensa têm intensificado a questão da problemática. Assim, sua discussão é fundamental.

Sob esse viés, é essencial ressaltar que em um corpo social competitivo, o tabaco é apresentado como um instrumento de satisfação momentânea. Nesse sentido, a demanda por métodos imediatistas, como o uso do cigarro, é agravada pela busca por altas performances no campo educacional e laboral. Desse modo, segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, em seu livro “O Mundo como Vontade e Representação”, o ser humano é impulsionado por uma vontade infinita que gera decepção. De forma análoga, o usuário frustra-se, pois, para atingir um patamar satisfatório consome, progressivamente, uma quantidade maior do produto. Desse maneira, isso o torna dependente do consumo do tabaco e, consequentemente, transforma-se em um vício.

Outrossim, a escassa veiculação midiática sobre programas governamentais e campanhas publicitárias que tratam a questão do combate ao tabagismo contribui com a perpetuação do problema. Nesse aspecto, conforme o sociólogo francês Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para servir de instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, observa-se uma omissão dos canais informativos, como a televisão, sobre o fumo e suas consequências. Isso converte-se em um empecilho para a conscientização populacional, principalmente para os adolescentes, os quais estão em fase formadora do senso crítico, e o debate acerca do impasse nos lares brasileiros.

Logo, torna-se evidente a imprescindibilidade de medidas para amenizar o quadro atual. Destarte, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, grande difusora de informações, e o Ministério da Educação, deve promover, por intermédio de verbas governamentais, ficções engajadas como telenovelas, peças teatrais, musicais, desenhos animados e a distribuição de histórias em quadrinho com o fito de informar a massa, em diversas idades, e estimular a discussão no ambiente doméstico e escolar sobre o tabaquismo e suas consequências para incentivar a redução do imediatismo sobre o consumo do fumo e evitar a sua dependência. Com isso, espera-se que o tabagismo no século XXI seja, gradualmente, mitigado.