Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 06/01/2021

Utilizado pelos ameríndios, o tabaco encontrou certa resistência para penetrar a cultura colonizadora. O navegador Cristóvão Colombo, creditado como descobridor das Américas, ao observar o intenso desejo dos marinheiros pela planta, afirmava que não estava no poder do homem evitar o hábito do fumo. Hodiernamente, todavia, o uso da droga difundiu-se por todo o mundo, e o tabagismo, dependência do consumo de tabaco, é uma triste realidade. Destarte, é fulcral analisar os fatores envolvidos a essa problemática. Em primeiro plano, cabe abordar o silenciamento do diálogo sobre o tema, principalmente com os mais novos. Infelizmente, a estratégia conservadora de muitas famílias brasileiras de reduzir os debates sobre questões mais polêmicas com os jovens ainda é utilizada. Nesse viés, a justificativa falaciosa dos responsáveis é a de que trazer ao meio familiar a conversa sobre o tabaco seria como iniciar a criança ou o adolescente à droga, o que é assertivamente refutado por psicólogos da área. Por conseguinte, estes jovens — os mais propensos a desenvolver vícios, que se estenderão à vida adulta, e portanto, alvos da indústria — mostram-se ignorantes no assunto, desconhecendo os males que o fumo traz à saúde, e entram em contato com a droga para sanar a curiosidade. Por fim, são angariados a um enfermo quadro de saúde global. Em segundo plano, destaca-se o costume brasileiro da transgressão de regras. A Lei Antifumo, regulamentada em 2014, endureceu ainda mais as proibições inerentes ao consumo de cigarros, impedindo o fumo em mais locais coletivos. Porém, na prática, observa-se um grande desrespeito pela legislação vigente. Sob esse prisma, é válido considerar o que Sérgio Buarque de Holanda define como “jeitinho brasileiro”, hábito do povo tupiniquim de sempre colocar suas emoções à frente de normas legais, que são apenas seguidas quando as necessidades egoístas do indivíduo são atendidas. Desse modo, revela-se a ausência de um senso de comunidade e de solidariedade, e até os não fumantes são submetidos aos efeitos nocivos dessa prática, como problemas respiratórios e câncer. Evidencia-se, portanto, a presença de obstáculos no combate ao tabagismo no Brasil, e a mitigação do problema é medida que se impõe. Assim, cabe ao Ministério da Educação e ao da Saúde, em parceria com as secretarias estaduais e municipais, a introdução do debate didático nas escolas sobre o tema. Isso pode ser feito a partir da criação de mesas redondas com psicólogos, médicos e ex-fumantes que abordarão o assunto sem tabus aos estudantes, com o fito de demonstrar os efeitos negativos do uso da droga. Outrossim, compete à Vigilância Sanitária a ampliação da fiscalização da Lei Antifumo, multando estabelecimentos e fumantes que desrespeitem as normas. Dessa forma, a fuligem gradualmente deixará os pulmões da sociedade.