Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 08/01/2021

Há décadas, a imagem do cigarro era construída pela mídia como símbolo de status e liberdade. Prova disso poderia ser vista nas campanhas publicitárias do “Cowboy da Marlboro“ — personagem de destaque nos comerciais de uma das principais marcas de cigarro na época — e até mesmo no cinema. Embora ficcionais, essas obras influenciaram a sociedade e o hábito do fumo se tornou comum, mesmo depois da proibição desses tipos de vídeos nos anos 2000. Diante do exposto, no século XXI, o hábito de fumar ainda se mostra como um grave problema no Brasil e gera consequências, as quais convém destacar, os malefícios à saúde e os novos formatos em que os cigarros se apresentam.

Nesse sentido, antes de tudo, vale destacar os impactos negativos que o hábito de fumar causa na saúde dos indivíduos. Dessa forma, em contrapartida ao pegado pela Constituição Federal de 1988, o direito à saúde não é plenamente satisfeito no que tange ao tabagismo. Isso é demonstrado pelos dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que revelam que 13% dos novos casos de câncer atingem o pulmão, os quais se apresentam, muitas vezes, decorrentes do vício e das substâncias presentes no cigarro. Diante disso, fica claro que enquanto o Estado for negligente em cumprir o previsto na lei, o fumo ainda fará vítimas na sociedade.

Ademais, um outro impacto que se mostra como um empecilho no combate ao tabagismo são os novos modelos de cigarro, que se apresentam de forma disfarçada. Esse cenário é exibido na série documental, “Desserviço ao Consumidor”, disponível na Netflix, que em um de seus episódios investiga os formatos chamados vape, que são cigarros eletrônicos com sabores e aromas projetados para conquistar o público jovem. Em tal caso, enquanto os jovens não forem orientados sobre os malefícios até mesmo desse tipo de artifício, que apresentam substâncias tóxicas assim como os modelos convencionais de tabaco, a cultura do fumo ainda permanecerá no cotidiano do corpo social.

Portanto, são notórias as dificuldades e sequelas causadas pelo consumo de cigarros aos indivíduos. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde — órgão do sistema executivo responsável pela promoção de saúde dos cidadãos —, em parceria com as escolas públicas e privadas, levar conhecimento aos jovens de forma clara e objetiva sobre o tabagismo. Isso poderá se dar por meio de palestras e conversas sobre o tema, com profissionais da área médica, dentro de um ambiente que priorize a troca de informações, esclarecimento de dúvidas, exposição dos impactos e conscientização sobre o fumo, principalmente aos adolescentes. Assim, será possível, finalmente, enfrentar as dificuldades e efeitos dessa prática no Brasil contemporâneo, e também, ofertar caminhos para o cumprimento do direito previsto na Carta Magna brasileira.