Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 09/01/2021

No poema “Tabacaria”, o escritor Fernando Pessoa idealiza e romantiza o tabagismo ao associá-lo à liberdade. Partindo desse pressuposto, é notório que tal mentalidade persiste hodiernamente, bem como a problemática do fumo no Brasil, uma vez que há a normalização da prática no imaginário da população jovem e um gasto econômico expressivo por parte do Estado no combate a essa. Em vista disso, é necessário discutir as consequências do tabagismo na sociedade brasileira.

Inicialmente, convém destacar a crescente adesão do tabagismo por parte da classe adolescente. Na série de TV “Skins”, os protagonistas - adolescentes no ensino médio - são mostrados fumando constantemente, retrato ficcional pautado em uma realidade cada vez mais comum. Segundo dados do Ministério da Saúde, a taxa de jovens fumantes aumentou de 7,4% para 8,5% dentro de um ano, números que advêm da glamourização do fumo e da coerção implícita fomentada pelas noções de que adolescência deve ser permeada pelas drogas. Desse modo, os jovens, ao entrarem em contato tão cedo com o tabagismo, banalizam o vício e sofrem maiores dificuldades para combate-lo na fase adulta.

Outrossim, o vício do fumo também é contraproducente ao cofres públicos, posto que um contingente significativo da verba estatal é destinada na luta contra tal mazela. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 40 bilhões de reais são gastos na assistência médica de casos oriundos do tabagismo, equivalente a 8% de todo o gasto da área da saúde. Assim, é evidente, decerto, que o problema atinge um quantativo considerável de pessoas, sendo responsável pelo desenvolvimento de câncer no pulmão e outras doenças graves. Além disso, no contexto da pandemia de 2020, fumantes foram classificados como grupo de risco da COVID-19, informação que endossa a seriedade dos danos ocasionados pelo tabagismo.

Portanto, diantes das problemáticas expostas, medidas são requisitadas no enfrentamento ao tabagismo. Logo, depreende-se a necessidade uma ação do Estado, em conjunto com a Anvisa e os principais órgãos de saúde, mediante o desenvolvimento de um documentário sobre os riscos do fumo e suas sequelas no corpo humano, visando instruir sobre os malefícios da ação e apresentar histórias de cidadãos que superaram o vício. Ademais, exibições públicas da produção cinematográfica ocorreriam em diversas cidades do país, aliadas à distribuição de panfletos contendo informações sobre os centros de ajuda ao final das sessões, sob o intuito de trazer uma atuação ampla contra o óbice. Destarte, o tabagismo é combatido no Brasil, propiciando uma qualidade de vida melhor para as futuras gerações.