Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 09/01/2021

A indústria do tabaco e seu novo público alvo

Durante o século XX, com o fortalecimento da indústria cinematográfica, o tabaco foi fortemente incorporado à cultura. Entretanto, com os avanços das comprovações dos inúmeros malefícios que o fumo acarreta, o Brasil se destacou ao adotar uma forte política antitabagismo que, apesar dos excelentes resultados, ainda encontra obstáculos, visto que há muitos produtos direcionados ao público adulto jovem, que pode gerar consequências maléficas, com o desenvolvimento de doenças como o câncer e a dependência, de modo que tal questão seja relevante no âmbito da saúde coletiva.

A priori, o Brasil apresentava alto índice de fumantes, devido à incorporação do cigarro na cultura como algo positivo, entretanto isso se modificou a partir do Programa Nacional de Controle ao Tabagismo. Outrossim, o uso social do tabaco, segundo a Escola de Frankfurt, pode ser visto como uma cultura de massas, já que foram utilizados meios artísticos para o popularizar, como o filme “Bonequinha de Luxo”. Se por um lado a arte teve força, por outro, as políticas públicas enfraqueceram o hábito, indo de 35% para 15% o número de tabagistas entre 1989 a 2013, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, diante das proibições de publicidade e aumento de impostos. Portanto, percebe-se que o país possui êxito nesse quesito, contudo, os novos produtos são um atrativo para os jovens.

Ademais, sabe-se que a juventude é uma etapa de experimentação e rebeldia, sendo o fumo um atrativo social particular nessa época, o que pode ser uma introdução ao vício. Em adição, as inovações como narguiles, cigarros eletrônicos e com sabores se tornam atrativos, acarretando a falsa impressão de que são menos danosos à saúde, como elucidado pela Fundação Fiocruz. Todavia, a instituição enfatiza que esses produtos são tão prejudiciais quanto os tradicionais, com aumento significativo na chance de desenvolver câncer e dependência química, em virtude de ser um forte psicoativo. Portanto, fica evidente que a indústria do tabaco busca novo público consumidor a partir de inovações.

Destarte, ressalta-se a necessidade de um enfoque do Programa Nacional de Controle ao Tabagismo para os jovens, buscando como efeito o acesso à informação para a redução da experimentação do tabaco, tendo em vista a prevenção dos malefícios futuros. Para tal, o Ministério da Saúde deve intensificar ações educativas por meio de propagandas nas redes sociais, proporcionando fóruns de debates online sobre o tema, com a participação do público em geral, em especial dos jovens, de profissionais da saúde e das ciências humanas, abordando as questões sociais grupais na adolescência e os potenciais prejuízos que o tabaco pode causar, até mesmo nas pseudo formas menos nocivas. Para que assim, as consequências a médio e longo prazo sejam atenuadas.