Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 11/01/2021
No obra " Brasil: uma biografia “, as historiadoras Lilia Shwarcz e Heloísa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas, destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania. Tal fato é evidenciado no excesso de fumantes na atualidade, tendo em vista que, apesar de os brasileiros possuírem o acesso à saúde e ao bem-estar como direito constitucional, a ineficácia do Estado, associada a influência de determinados grupos sociais, faz com que a cidadania não seja gozada por todos de maneira plena.
Em primeira análise, a ineficiência estatal restringe a cidadania dos indivíduos. Nessa perspectiva, segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra " O Cidadão de Papel “, nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais são cumpridas, o que faz desencadear uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel. Sob essa ótica, a garantia dos direitos fundamentais é responsabilidade do governo, o qual tem se mostrado negligente, conivente e incompetente, pois, conforme dados do Instituto do Coração da Univerdade de São Paulo (USP), cerca de 130 mil brasileiros morrem por ano devido doenças causadas por uso em excesso do cigarro, e o poder público é incapaz de controlar a situação. Logo, essa insuficiência do aparato instucional evidencia o descaso das autoridades com a sociedade.
Outrossim, é indubitável salientar a influência de jovens como parte elementar do problema. Sob esse viés, é comum adolescentes fumarem para se sentirem aceitos no grupo, como é mostrado em filmes como " American Pie “, no qual os personagens principais fazem uso do cigarro e outras drogas com frequência e os efeitos da prática são sempre positivos. Dentro dessa conjuntura, o abuso da substância pode ser enquadrado como " banalidade do mal “, termo cunhado pela filósofa Hannah Arendt para caracterizar comportamentos nocisos, mas tão disseminados na sociedade, que passam a ser banais. Dessa maneira, é necessária uma intervenção educacional nas escolas para alertar os estudantes e mudar esse quadro.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de medidas para atenuar o tabagismo no país. Para tanto, O Ministério da Educação deve, por intermédio das escolas, promover debates e palestras com profissionais da saúde sobre os males que o cigarro causa ao organismo, de modo a desestimular os jovens a consumi-lo. Ademais, compete ao governo federal investir em campanhas de divulgação sobre os malefícios do cigarro, mediante propagandas na televisão e nas mídias sociais, como Facebook, Twitter e Instagram, a fim de conscientar a população sobre os riscos do excesso de fumo, dessa forma, a construção da cidadania será facilitada.