Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 11/01/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela ONU em 1948, foi o primeiro documento histórico a garantir de forma universal o direito ao bem-estar. Contudo, hodiernamente, o uso excessivo do cigarro, além de desecadear diversos prejuízos à saúde, também fere a norma universal. Nesse viés, o problema se perpetua devido à influência midiática e ao descaso governamental.

Primeiramente, é indubitável que a indústria midiática colabora para a manutenção do consumo de tabaco. No tocante a isso, o autor Guy Debord, na obra “A sociedade do espetáculo”, entende que a mídia detém o poder da imagem e por isso consegue manipular a população. Dessa forma, evidência-se que a propagação do cigarro aliado a diversão e ao prazer em filmes, novelas e comerciais, colabora para que o indivíduo de forma errônea entenda que para participar dessa realidade deverá agir como um “personagem”, ou seja, ser mais um usuário de tabaco. Destarte, enquanto não houver a conscientização social sobre a nocidade dos fatos narrados, certamente, parcela da população permanecerá alienada.

Ademais, é inegável que a omissão do governo gera o problema. Nesse sentido, o filósofo contratualista John Locke entende que o “Contrato Social” é violado quando o Estado não cumpre sua função irrevogável de garantir o bem-estar social. Desse modo, em consonância ao pensamento de Locke, quando políticas públicas não são criadas para combater o consumo de tabaco, o qual ocasiona diversos malefícios à saúde dos cidadãos, o pacto social é rompido, diante do desamparo existente. Assim, enquanto o poder estatal não agir de forma ativa na resolução do entrave, a sociedade continuará sendo corrompida.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para combater a problemática. Dessarte, o Ministério da Saúde, por meio de políticas públicas, as quais são responsáveis por efetivar os direitos da Carta Magna de 1988, deve criar um projeto social de combate ao consumo do tabaco. Por conseguinte, o projeto será aplicado nos bairros municipais e terá função de debater as consequências causadas à saúde pelo uso indiscriminado do cigarro e seus derivados, com a finalidade de conscientizar a população sobre a necessidade de cuidar da saúde individual e coletiva. Nesse contexto, a norma universal será plenamente efetivada.