Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 12/01/2021
Aldous Huxley, em “Admirável Mundo Novo”, descreveu a utilização do comprimido “Soma” por uma sociedade fictícia, em que o estado de relaxamento promovido pelo psicotrópico ocasionava grave dependência. Contemporaneamente, a compulsão descrita pelo escritor inglês ecoa no intenso uso de cigarros no século XXI, panorama perpetuado pela liberação de neurotransmissores que estimulam o prazer. Com efeito, a superação do tabagismo no Brasil faz-se imprescindível, uma vez que esse quadro apresenta a deslegitimação de direitos e a inviabilização do convívio ético como consequências.
Em um primeiro plano, o consumo de tabaco necessita ser combatido, porquanto deslegitima garantias fundamentais. Isso ocorre devido à alta concentração de compostos intoxicantes nessa substância, os quais provocam efeitos danosos à saúde, como o câncer de pulmão e, em casos extremos, a morte, além do fomento à poluição atmosférica, fatores que desconstroem os princípios da dignidade humana e da proteção ao ambiente. Nesse sentido, os prejuízos advindos dessa realidade contrariam a proposição de John Locke, em “Segundo Tratado Sobre o Governo”, cuja essência afirmava que os cidadãos nascem com prerrogativas jurídicas inalienáveis, na medida em que o tabagismo viola o direito à vida. Dessa forma, desconstruir o vício em cigarros é defender a humanidade por trás de valores essenciais defendidos pelo filósofo liberal.
Ademais, o enfrentamento do tabagismo deve ser compreendido como demanda prioritária, visto que tal prática impossibilita o convívio harmônico. Essa percepção se fundamenta no insuficiente esclarecimento crítico de vasta parcela populacional acerca da nocividade do tabaco, o que naturaliza a destruição da saúde não apenas individual, mas também coletiva, já que sujeitos próximos a fumantes inalam a fumaça tóxica presente na droga. Nessa perspectiva, o desrespeito ao bem-estar geral advindo do consumo em questão afronta o conceito de “ética”, proposto por Immanuel Kant, apontado como o esforço racional de uma população para a harmonia social. Desse modo, os tabagistas deslegitimam a declaração do filósofo ao ignorarem os malefícios que proporcionam à coletividade.
A violação de direitos e a desconstrução da convivência harmônica, portanto, consubstanciam os impactos do tabagismo no país. À vista disso, o Poder Executivo Federal deve promover políticas públicas de desestímulo à dependência do tabaco. Essa medida necessita ser concretizada por meio de campanhas publicitárias de conscientização social sobre os danos do vício em pauta, as quais sejam exibidas em horário nobre nas mídias televisivas para alcançar grande quantidade de espectadores, com a finalidade de reduzir os males físicos e ecológicos permitidos pelo cigarro. Dessa maneira, o cenário adicto desvelado por Aldous Huxley não será mais uma realidade empírica para a nação.