Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 13/01/2021

Assim como a guerra às drogas, a luta contra o tabagismo, no século XXI, é, na verdade, uma questão de saúde pública e economia. De um lado, se percebe o alto número de cigarros ilegais vendidos nas ruas. Por outro, mais de 21 bilhões de reais gastos por ano dos cofres públicos com tratamento de doenças advindas do cigarro, segundo levantamento da revista Galileu. É certo que esse cenário precisa ser melhorado em vista do bem comum, mas há necessidade de novas estratégias das autoridades.

Em primeira análise, a minissérie exibida no canal do Youtube do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP), “Cigarro do crime”, documenta um panorama realista do contrabando de cigarros ilegais para o Brasil. Além disso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, em 2019, 57% do mercado de cigarros brasileiro correspondia a indústria ilegal. Desse modo, a economia e, ainda mais, os individuos que fazem uso desse produto são lesados. Ou seja, a sociedade perde economicamente e em questão de saúde, já que a fiscalização não alcança esses insumos.

Ademais, enquanto são gastos 21 bilhões de reais com tratamentos, ainda de acordo com o infográfico da revista Galileu, a venda de cigarros arrecadou somente 6,3 bilhões em impostos. Em paralelo, “Cigarro do Crime” apontou que foram movidos 11 bilhões de reais na indústria ilegal. Esses números colocados em perspectiva, demonstram que há uma batalha sendo perdida. A alta taxação tem sido inefetiva contra a diminuição de consumo, ja que existem alternativas mais baratas para o consumidor. Dinheiro e vidas estão sendo perdidas, por isso, é preciso olhar a problemática de outras maneiras.

Diante desse cenário, a problemática do tabagismo deve ser abordada pelos setores corretos das divisões públicas, de modo a tratar a questão com a importância devida. A priori, o Ministério da Economia deve diminuir a taxação do produto, através de acordos com as empresas de tabaco, visando preços mais competitivos e assim, garantir que fumantes de baixa renda não recorram aos cigarros ilegais. A posteriori, o Ministério da Saúde deve popularizar e tornar acessível saídas saudáveis para fumantes que querem parar, disponibilizando pelo SUS adesivos de nicotina e tratamentos psicológicos, a fim de aumentar o número de não-fumantes e de vidas salvas. Essas medidas se completam e podem abrir espaço para uma sociedade mais saudável e economicamente viável.