Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 15/01/2021

Charles Rosenberg, professor de Harvard, afirma que toda doença é um fenômeno biocultural: manifesta-se no organismo, porém reflete estilos de vida de uma dada sociedade. Sua premissa se mostra válida ao se analisar os problemas e consequências do tabagismo no século XXI. A partir disso, faz-se pertinente ressaltar que a normalização do uso do cigarro e a falta da mais orientações nos colégios compõem um quadro desafiador, que deve ser desconstruído.

Em primeiro lugar, é importante destacar a construção social do tabaco como algo inofensivo, o que contribui para a sua normalização. Sob essa ótica, percebe-se que historicamente, o cigarro esteve em propagandas e filmes, construindo uma imagem de relaxamento e de irreverência, o que pode ser explicado pelo sociólogo Pierre Bordieu, com ênfase em seu conceito de “Habitus”. Segundo ele, a repetição dessas ações em ambientes sociais tem como consequência o aumento da aceitação desse comportamento. Assim, torna-se necessário desconstruir a boa imagem existente sobre o tabaco perante à sociedade brasileira.

Ainda nessa linha de raciocínio, outro ponto determinante, também relacionado aos contextos sociais, é o fato de que os inventimentos na prevenção do tabagismo são ínfimos, embora as escolas sejam espaços-tempo propícios para isso. Outrossim, o atual sistema educacional brasileiro preza pela educação baseada na preparação para exames e para o ensino tecnicista, promovendo a memorização para avaliações regulares. No entanto, para o sociólogo frânces Edgar Morin, em vez da especialização das disciplinas, é necessário um movimento transdisciplinar, que possibilite uma interpretação mais integral do mundo, ao considerar as demandas sociais do aluno. Logo, percebe-se que a prevenção do uso do tabaco por meio da educação impede as potenciais consequências que este poderia gerar.

Diante do exposto, é mister que o Estado utilize de políticas públicas e campanhas conscientizadoras para a desconstrução da imagem do tabaco como algo natural. Além disso, urge que o Ministério da Educação crie soluções multidisciplinares que abordem os problemas e consequências do tabagismo, promovendo-as nas escolas por meio de palestras socioeducativas e trabalhos focados em metodologias de prevenção. Feito isso, o Brasil estará ampliando as frentes de combate ao vício do cigarro por meio da educação e poderá, gradativamente, alterar o “Habitus” da sua sociedade frente a essa problemática.