Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 16/01/2021

Na letra da música dos anos 2000 “É proibido fumar/ Diz o aviso que eu li /Mas nem adianta o aviso olhar”, a banda Skank retrata uma falha nas políticas de coerção contra o tabagismo. Consoante ao recorte lírico da banda de rock, o uso de cigarros pela população jovem brasileira tornou-se uma questão de saúde pública, visto que ele está relacionado com a necessidade do escapismo, fortemente presente no século XXI, e com o aumento do número de dependentes do sistema de saúde brasileiro.      De início, é importante apresentar como o tabagismo se relaciona com a dinâmica social dos jovens na atualidade. De acordo com o médico Sigmund Freud, as necessidades e os desejos do indivíduo, quando não alcançados, levam à ansiedade e são sublimados na forma de outros dispositivos. Em outras palavras, os efeitos da nicotina no corpo e na mente são uma forma de escapar, momentaneamente, de uma realidade estressante e que demanda cada vez mais resultado, eficiência e versatilidade dos jovens brasileiros, seja no trabalho, nas universidades e nos ciclos sociais. Tal escapismo se concretiza com a liberação de nicotina, uma substancia química presente nos cigarros que, quando inalada, causa uma sensação imediata de prazer no cérebro. Em conseqüência disso, a dependência do tabaco torna-se expressiva entre os jovens brasileiros, trazendo com ela, doenças como os cânceres e os enfisemas pulmonares, bem como o aumento de fumantes passivos, que são aqueles que convivem com os usuários e inalam a fumaça tóxica sem praticar o ato.

Ademais, a ocorrência de uma sobrecarga do sistema de saúde está associada com o aumento de doenças causadas pelo fumo. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), 430 pessoas falecem por dia nos hospitais em decorrência do uso de tabaco no Brasil, que é responsável por 8% dos custos de todas as internações no SUS. Nesse sentido, com o aumento do número de jovens fumantes, cresce a demanda de tratamento nos hospitais, que não condiz com a real infraestrutura oferecida pelo sistema público. Essa problemática ocorre porque os enfermos necessitam de recursos e suporte financeiro, além dos exoberantes gasos na realização de tratamentos e exames, como a radioterapia nos casos de cânceres. Em decorrência disso, o sistema de saúde é pracarizado: diversas pessoas deixam de receber um tratamento de qualidade por ficarem na fila de espera dos hospitais, além dos próprios locais correrem o risco de não responder a demanda de forma eficiente, seja por falta de profissionais, equipamentos e remédios.

Portanto, visto tais desafios, é necessário que o Ministério da Saúde ofereça tratamento gratuito e de qualidade para tratar a dependência do tabaco entre os jovens brasileiros, por meio do acompanhamento de psicólogos e médicos oferecidos nos municípios e nas universidades.