Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 11/05/2021
Durante a Proclamação da República, em 1889, houve a ascensão do lema “Ordem e Progresso” para referir-se ao Brasil. No entanto, ao analisar a grande recorrência do tabagismo no país, entende-se que tal ideal não se concretiza no cenário atual. Isso ocorre, fundamentalmente, por conta da herança histórico-cultural e da negligência governamental.
Em primeira instância, cabe ressaltar o impacto do passado para a compreensão do problema. Nesse sentido, segundo Pierre Bordieu, os indivíduos incorporam pensamentos difundidos ao longo dos anos e os reproduzem com naturalidade. Sob esse viés, essa lógica aplica-se à sociedade brasileira, uma vez que o tabagismo, doença muito presente no país, é reflexo de um processo de formação nacional, no qual tal prática era sinônimo de poder e status social, tornando-a cobiçada pela população. Dessa forma, essa difusão de valores pelo tempo foi essencial para tornar o uso doentio do tabaco um ato de normalidade.
Outrossim, é nítida a omissão do governo na desconstrução dessa mentalidade incabível nos dias de hoje, levando em consideração sua gravidade. Nessa perspectiva, de acordo com Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar da sociedade. Entretanto, nota-se, no cotidiano brasileiro, a falta de medidas governamentais de conscientização populacional em relação ao entrave - como projetos de impacto, voltados para a apresentação de consequências do fumo em casos reais -, fato que contraria a máxima estabelecida por Hobbes.
Assim, essa passividade contribui para a perpetuação do tabagismo no Brasil, devido à ignorância por parte dos cidadãos. Dessa maneira, devem ser tomadas medidas capazes de mitigar o atual cenário brasileiro. Para isso, cabe ao Governo Federal criar campanhas de conscientização coletiva, feitas por meio de cartazes sobre os resultados do tabagismo - que devem ser espalhados por zonas urbanas e rurais, para potencializar o alcance -, a fim de, à longo ou médio prazo, promover o abandono do uso do tabaco. Com isso, será possível imaginar uma sociedade harmônica, em que são cumpridos os ideais positivistas da Proclamação da República.