Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 26/05/2021
“Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do tolerável”. Umberto Eco, filósofo italiano, por meio de sua perspectiva, elucida a essencialidade dos limites como indispensável ao equilíbrio humano. No entanto, no século XXI, o cenário de tabagismo desponta antagônico perante a perspectiva do intelectual, haja vista que o consumo intolerante de tabaco se assenta em normalização na sociedade brasílica. Sob esse aspecto, convém uma deliberação das causas do óbice: a dinâmica da vida moderna e a nefasta indústria do cigarro.
Antes de tudo, é imperioso postular a engrenagem da contemporaneidade como um incontrovertível revés. Na célebre obra “Alice no País das Maravilhas” , do escritor Lewis Carroll, o personagem Coelho Branco é caracterizado por seu espírito desordenado, apressado e mentalmente corrompido. De maneira congênere, o ser antrópico faz-se similar ao fictício, posto que as atribulações e responsabilidades da vida adulta excedem as fronteiras psicológicas, que favorecem o hábito do fumo como válvula de escape e remédio de contenção. Desse modo, torna-se inadiável, portanto, a reestruturação de tal dinâmica atual, essencialmente, patológica à coletividade.
Simultaneamente, o próprio mercado de tabaco é outra faceta de ímpar contrariedade. Segundo pesquisas da Fundação do Câncer, junto ao Instituto Nacional de Câncer (INCA), a indústria tabagista recorre à glamourização do cigarro como “marketing” para impulsionar o consumo desmedido, uma vez que, da década de 40 até meados dos anos 70, o ato de fumar era tido como algo de requinte e sofisticação devido à influência massiva do cinema daquele contexto. Com efeito, organizações de tabaco se apropriam de tais respaldos históricos para perpetuar o mecanismo de lucro e desserviço à ciência - esta em constante desvalorização -.
Portanto, o Ministério da Saúde (MS), por meio de projetos alternativos, com impulsionamento midiático, bem como a atuação mais ativa de profissionais da área da saúde, deve reforçar os projetos de conscientização e alerta ante o uso inconsequente de cigarro, com intuito de discussão sobre como o mecanismo da vida moderna favorece o vício à nicotina. Cabe, ainda, um esclarecimento voltado a clarificar como procede a estratégia de “marketing” das empresas de tabaco, com fito de atenuar o consumo e o índice de enfermos. Espera-se, com essas medidas, fazer jus ao pensamento de Umberto Eco.