Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 09/07/2021
Em 1955, a indústria tabagista americana exportava – por meio de comerciais televisivos – ideais de liberdade ostentados pelos cowboys da Marlboro. No entanto, cinco deles foram à óbito, vítimas de doenças pulmonares. Sob esse viés, o tabagismo representa grave mazela social, subjuga toda a sociedade brasileira a inúmeros problemas e produz consequências irreversíveis à saúde dos seres humanos e aos cofres públicos, o que urge ser desestimulado pela sociedade e pelo Estado.
Em primeiro plano, a deficiência da saúde dos indivíduos apresenta-se como o maior dos problemas. Nesse sentido, segundo dados do Ministério da Saúde, a combustão dos cigarros comuns produz mais de 4700 substâncias nocivas, dentre elas o alcatrão, o monóxido de carbono e a nicotina. A primeira é uma substância altamente cancerígena e pode produzir enfisema pulmonar e câncer, enquanto a segunda é o mesmo gás que sai do escapamento dos veículos automotores, além de que a terceira produz grande efeito de dependência. Constitui problema de saúde pública a ausência de debates em larga escala sobre esses efeitos nocivos ao permanecer no imaginário social a imagem de indivíduo moderno e interativo perpetuada desde a década de 50. Conquanto exista esse movimento, necessita-se de intervenção estatal sob risco de saúde pública.
Ademais, o tabagismo tem como consequência imediata o elevado déficit nas contas públicas. Sob essa perspectiva, a Lei Antifumo, promulgada em 2011, prevê estratégias para descredibilizar a indústria tabagista e garantir a integridade dos fumantes passivos, que padecem sob a sombra de suas saúdes abaladas sem, contudo, possuírem qualquer culpa. No entanto, verifica-se a ausência estatal na produção de campanhas que diminuam a produção por parte das grandes empresas, o que acarreta um prejuízo anual de quase 15 milhões de reais aos cofres públicos, segundo dados do IBGE. Tal déficit se expõe à medida que a sociedade necessita de ajuda com tratamentos oferecidos pelo SUS, o que prova a existência de uma lei ineficiente que deveria proteger a sociedade e uma arrecadação tributária negativa, o que demonstra ser grave mazela social e necessita intervenção estatal.
É urgente, portanto, que o Ministério da Saúde – órgão estatal responsável pelo bem-estar da população brasileira – produza políticas públicas antitabagistas, por meio de campanhas informativas, como palestras com médicos pneumologistas e psicólogos, que percorram todo o Brasil e tornem públicos dados que deslegitimem a indústria do fumo. Esses eventos têm a finalidade de melhorar a saúde pública, sanar a desinformação social e cumprir com o dever do Estado enquanto responsável pelo povo e sua saúde. Somente assim os ideais de liberdade tão ostentados em 1955 pela Marlboro serão atualizados com reais valores de longevidade e felicidade.