Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 01/07/2021

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, mas era vencido pela exaustão, assim retornava à base. Esse mito assemelha-se à luta incessante dos fumantes, os quais apresentam grande dificuldade em combater os vícios proporcionados pelo tabaco. Nessa perspectiva, o Brasil hodierno vive uma crise para solucionar a problemática do tabagismo em seu território, uma vez que a influência midiática e o desejo por prazeres instantâneos são as principais causas desse impasse.

A priori, sabe-se que o vício em cigarros atinge contornos específicos no âmbito social do país. Nesse sentido, de acordo com dados da Folha de São Paulo, o Brasil tem prejuízo anual de R$56,9 bilhões com o tabagismo, devido às despesas médicas e aos custos indiretos ligados à diminuição dos indivíduos economicamente ativos. Esse fator é uma consequência parcial da má influência midiática, que negligencia os riscos do tabaco, de modo a normalizar o uso do cigarro nos veículos de entretenimento do país. Nessa linha de raciocínio, percebe-se que o descaso midiático configura um preocupante problema social, já que não há alternativas saudáveis para a influência de grandes massas populares no território nacional.

Paralelamente, o desejo por prazeres instantâneos é um dos principais entraves para solucionar o tabagismo. Nesse contexto, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que a individualidade é constituída pelos prazeres e pela primazia do querer, que é incessante e responsável pelas relações humanas funcionarem como mercadoria. Isso significa que as identidades são trocadas na mesma velocidade em que se fuma um cigarro, por exemplo. Nessa conjuntura, torna-se perceptível que o tabaco é visto como uma realidade paralela disponível aos indivíduos em momentos de angústia e solidão, visando um bem-estar ilusório.

Portanto, é mister que o Ministério da Saúde — órgão da administração brasileira lançado durante o governo de Getúlio Vargas — crie projetos de conscientização acerca dos verdadeiros riscos do tabagismo, por meio de campanhas publicitárias e propagandas no rádio e na TV aberta em horário nobre, visto que esse período permite que a informação seja acessível a mais indivíduos, para que a população seja capaz de entender e refletir sobre a importância de hábitos saudáveis na sociedade. Ademais, cabe à mídia brasileira, como grande formadora de opinião, problematizar o uso do tabaco nos veículos de entretenimento. Dessa forma, será possível diferenciar a realidade nacional da mitologia grega.