Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 11/07/2021
Historicamente, o tabaco dispôs de grande importância para o Brasil, visto que foi um dos principais produtos exportados durante o Império e, por esse motivo, tem seu símbolo reproduzido no Brasão das Armas da República - que representa a glória, a honra e a nobreza do país. Entretanto, apesar da relevância histórica, com o avanço científico descobriu-se que o fumo é extremamente prejudicial à saúde humana. Contudo, mesmo com os diversos estudos que convergem em relação aos malefícios do tabaco, o tabagismo persiste no cotidiano dos brasileiros. Com efeito, é necessário analisar a busca insaciável por lucro na sociedade e a falta de políticas públicas eficientes para combater esse mal.
A princípio, é válido ressaltar que o modelo econômico capitalista prioriza o ganho monetário acima de tudo, o que pode ser contraproducente para a coletividade de modo geral. Nesse contexto, o conceito de “cordialidade” - criado pelo proeminente escritor brasileiro Sérgio Buarque de Holanda - retrata sobre o ato de favorecer o benefício próprio em detrimento do bem-coletivo. Nesse viés, é evidente que os grandes produtores nacionais são “homens-cordiais”, porque, ainda que saibam das consequências negativas para os consumidores, estimulam a produção e a comercialização do cigarro, a fim de obter elevados ganhos financeiros à custa da saúde dos cidadãos. Assim, enquanto a “cordialidade” for a regra, infelizmente, o bem-estar da população se manterá em risco.
Ademais, é fato que a negligência governamental impacta negativamente no combate ao tabagismo - doença crônica causada pela dependência da nicotina. Diante desse cenário, segundo o Instituto Nacional de Câncer, a maior parte das mortes evitáveis no mundo e do desenvolvimento dos cânceres de pulmão é consequência dessa patologia. Acerca disso, é notável que o Estado contribui com essas mortes, uma vez que, com a aplicação de políticas públicas efetivas, milhares de vidas poderiam ser salvas anualmente - cerca de 8 milhões, de acordo com pesquisa do instituto supracitado. À vista disso, é indubitável que os “homens-cordiais”, citados pelo escritor brasileiro, se aliam aos governantes em busca de acordos que resultam em lucros mútuos, sob pena de consequência danosa à nação.
Urge, portanto, que, para conter os quadros de tabagismo, o qual, diferentemente do que foi pensado no passado, não é positivo no século XXI, é imperioso que o Ministério da Saúde amplie a divulgação de pesquisas feitas pelos seus institutos, como a citada anteriormente, por meio de publicações nas redes sociais, que destaquem os efeitos danosos do tabaco à saúde do usuário. Outrossim, é mister que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária fiscalize a produção de fumo, por intermédio de regulamentações cada vez mais duras, com o intuito de reduzir a produção gradualmente, com a finalidade de reprimir as atitudes cordiais por parte dos latifundiários.