Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 21/07/2021
No século XVII, momento de destaque para as manifestações artísticas do Barroco, o símbolo de bem-estar “carpe diem” marcou o estilo de vida mundialmente, ao incentivar à adoção de tudo aquilo que agregue para o aproveito da felicidade e do instante. Similarmente a essa época, o pensamento de instantaneidade da vida ainda apresenta grande influência comportamental na sociedade o que, na maioria dos casos, justifica diversos vícios e distúrbios- tabagismo- que afetam substancial parcela da população. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só em razão da glamourização do cigarro, mas também pelo fumo excessivo como válvula de escape para o estresse cotidiano.
Deve-se pontuar, de início, a influência do esteriótipo de glamour- presente em produtos associados à nicotina- no problema do século: o tabagismo. Então, tendo em vista as antigas propagandas de cigarro, a estrela do cinema clássico, Marilyn Monroe, protagonizava a popularização e a glamourização do fumo como indício de elegância e de moda. Nesse sentido, assim como estrelado por Monroe, ainda há a ideologia de status advindo do uso dos derivados de tabaco o que, consequentemente, revela o descaso- por parte da sociedade- nos danos causados à saúde pelo consumo exacerbado desses produtos e na perpetuação da imagem do cigarro como sinônimo de imponência social.
Ressalta-se, ademais, a utilização dos derivados do tabaco como forma de fuga da realidade e do cenário de imediatismo social. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, autor da teoria da modernidade líquida, a instantaneidade presente no núcleo amplamente sociável favorece a figura do tabaco como mecanismo de alívio dos problemas e do estresse rotineiro. Dessa forma, bem como analisado por Bauman, o cotidiano e o pensamento imediatista- enraizado na cultura populacional- amplifica à propensão ao tabagismo, uma vez que o uso regular da nicotina- substância presente nos cigarros- incita o vício ao controlar a sensação- terrível- de abstinência do usuário.
Evidencia-se, portanto, a persistência de problemas estruturais no que tange o tabagismo presente na sociedade. Nesse âmbito, compete a mídia desvincular a imagem social de glamour associado ao fumo, por intermédio de propagandas instrutivas, que demonstrem a realidade e as consequências da dependência à nicotina, com o objetivo de desenvolver a criticidade a respeito da influência do cigarro na saúde populacional. Além disso, o Ministério da Saúde- orgão de maior autoria e influência- deve desenvolver programas de tratamento e de combate ao tabagismo, por meio da formação de unidades especializadas na avaliação histórica dos pacientes, com o intuito de auxiliar no processo de superação da dependência. Feito isso, a população poderia superar a toxicomania como mal do século XXI e caminhar para o desenvolvimento dos cuidados com a saúde.