Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 07/10/2021

No período colonial, o tabaco, exportado pelos portugueses, foi um dos principais itens comerciais brasileiros. Embora séculos tenham se passado, esse produto ainda se encontra presente no contexto brasileiro, não no aspecto da economia, mas da saúde pública. Esse cenário é fruto, principalmente, da negligência governamental e da falta de ações educativas. Fica claro que é necessário avaliar os fatores supracitados e suas consequências.

Sob esse viés, é válido ressaltar que a omissão do poder público agrava o problema do tabagismo. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, no livro “Modernidade Líquida”, instituições zumbis são aquelas que deixam de cumprir seu papel social. Nesse sentido, pode-se afirmar que o Ministério da Saúde é uma dessas intituições, pois, apesar de ter a função de garantir a saúde de qualidade a todos os indivíduos, negligencia uma parcela da população. Tal fato ocorre devido ao investimento mínimo em medidas que visem ao fim da problemática - como a contratação de psicólogos para hospitais e clínicas públicas, a criação de grupos de apoio para viciados em tabaco, entre outros. Por conseguinte, o cidadão fica desamparado e encontra mais dificuldades para abandonar esse vício. Diante disso, é fulcral a mudança da postura das autoridades responsáveis.

Outrossim, é lícito postular que a baixa atuação das escolas impulsiona esse revés. De acordo com o sociólogo Pierre Bordieu, em sua tese sobre o processo de socialização, a escola é um dos grupos sociais primários em que o indivíduo é inserido e, sendo assim, é responsável pela instrução acerca de valores, regras e ideias. Dessa forma, com a falta de ações educativas nos colégios, que informem sobre os problemas causados pelo uso de tabaco. Como consequência, crianças e adolescentes crescem sem saber dos efeitos nocivos do hábito de fumar - desenvolvimente de câncer, AVC, infarto e outras doenças . A exemplo disso, dados divulgados pelo Instituto Oswaldo Cruz revelam que há o aumento do número de jovens fumantes na última década.

Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que haja a mitigação da problemática. A princípio, o Ministério da Saúde deve investir no tratamento das doenças causadas pelo tabaco e criação de clínicas de reabilitação. Isso pode ser feito por meio da estruturação de hospitais e da contratação de profissionais - como psiquiátras, psicólogos, cardiologistas e especialistas no assunto. Logo, o cidadão será amplamente amparado e terá os mecanismos necessários para tratar as doenças desenvolvidas e para abandonar esse hábito. Ademais, o Ministério da Educação precisa introduzir aulas sobre os hábitos nocivos para saúde , as quais abordem sobre o fumo e suas consequências. Sendo assim, crianças e adolescêntes estarão cientes dos malefícios do tabaco.