Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 03/11/2021
A série norte-americana “O Gambito da Rainha” põe em pauta a questão do tabagismo ao apontar uma sociedade que, ambientada no século XX, aborda o vício no fumo como um hábito moderno. Embora ficcional, o longa-metragem propõe um debate acerca de uma conduta que persiste em fazer parte da atual população brasileira: o uso demasiado do cigarro. Nesse sentido, tanto a intensa influência da mídia quanto os lucrativos interesses capitalistas catalisam a perpetuação do impasse.
Em primeira análise, cabe destacar o impacto da instituição midiática na persistência do imbróglio, uma vez que ela contribui para a construção de uma perspectiva romantizada no que tange ao tabaco. Dessa maneira, de acordo com o teórico da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, a indústria cultural é um mecanismo utilizado pela classe dominante para moldar o comportamento dos cidadãos. A partir disso, essa máxima reverbera na conjuntura tupiniquim na medida em que a máquina cinematográfica, assim como abordado em O Gambito da Rainha, ao retratar o uso do cigarro de forma glamourizada reflete o símbolo cultural de poder e status fornecido a esse produto. Desse modo, os telespectadores, induzidos pelos meios de comunicação, reproduzem a problemática e confirmam a tese de Adorno.
Ademais, é imperativo pontuar o sistema capitalista de produção como um dos fatores determinantes para a permanência do estorvo. Sob esse viés, é lícito mencionar a teoria “Habitus”, do sociólogo Pierre Bourdier, segundo a qual a coletividade possui padrões que são impostos e naturalizados entre os indivíduos. Nessa senda, em consonância com as ideias do autor, o aparato empresarial, movido pela busca ao lucro, adequa-se as exigências do comércio e, por meio das redes sociais, amplia o público a quem destina as mercadorias produzidas, modelando, assim, os interesses desse grupo. À vista disso, os cigarros eletrônicos, representados pelos vapers e narguilés, por exemplo, são bastante difundidos entre os jovens do tecido civil contemporâneo, fundamentando-se, para isso, na alienante propagação digital promovida pelas indústrias hodiernas.
Verifica-se, portanto, a fundamental importância de medidas capazes de reverter esse preocupante quadro pátrio. Para tanto, cabe às mídias, instrumento de grande prestígio social, desenvolverem, mediante filmes e séries, discussões em relação ao tabagismo, a fim de desconstruirem, ao destacar os malefícios advindos do tabaco, a visão romantizada desse artigo. Outrossim, urge que o Governo Federal fortaleça, por intermédio de investimentos estatais, as ferramentas de fiscalização à venda de substâncias tóxicas em especial aos adolescentes, no intuito de minimizar a comercialização do cigarro e extinguir a imagem aceitável desse ítem. Destarte, tornar-se-ia possível engendrar uma comunidade que defira do enredo representado em “O Gambito da Rainha”.