Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 04/11/2021
Marisa Monte, compositora brasileira, em sua canção “Fumar Espero” diz que “fumar é um prazer que faz sonhar”, no qual esse hábito é simbolizado como algo benéfico. Hodiernamente, a verossimilhança do hábito representado pela cantora corresponde ao contexto do país, uma vez que o tabagismo está em ascensão, circunstância oriunda tanto do uso do cigarro como válvula de escape, quanto da lacuna no sistema de ensino para a discussão da temática.
Nessa conjuntura, convém enfatizar que o uso do tabaco como fuga da realidade está entre as principais causas do revés. Para compreender essa lógica, pode-se mencionar o filósofo Byung-Chul-Han, o qual caracteriza as comunidades contemporâneas como “Sociedades do Cansaço”, em razão da excessiva autocobrança pelo sucesso laboral e pessoal. Por esse viés, determinados indivíduos ao não conseguirem alcançar esse suposto êxito optam por formas de aliviar a angústia, recorrendo ao uso do tabaco. É indubitável, portanto, que essa peculiaridade do tecido social pós-moderno influência na recorrência dessa prática.
Ademais, é lítico postular que o hiato educacional está entre os principais fatores que agravam o impasse. De acordo com o filósofo John Locke, os seres humanos ao nascerem são definidos como “Tábulas Rasas” por não possuírem conhecimento algum, sendo todo o processo do conhecer compreendido por meio da experiência. À vista disso, as instituições educacionais, ao não fornecerem discussões sobre as consequências do uso de cigarros, dificultam a obtenção do saber sobre a temática, haja vista que o conhecimento advém da exposição com o tópico. Logo, é notório a relevância do debate em âmbito escolar para conscientizar os cidadãos.
Depreende-se, em suma, a necessidade de ações para atenuar a problemática. Para tanto, com o objetivo de reduzir a prática do tabagismo, o Ministério da Educação deve subsidiar e promover um conteúdo programático que informe sobre os malefícios do cigarro, por meio das Superintendências Regionais de Ensino - que pode ocorrer, por exemplo, com a adição de aulas sobre o tópico na grade curricular do ensino fundamental e médio, com auxílios de profissionais da saúde. Desse modo, o conhecimento será adquirido de modo similar ao exposto por Locke.