Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 15/11/2021
A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu Artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, na prática, essa prerrogativa não é efetivada, haja vista que, segundo o jornal BBC, cerca de 200 mil brasileiros morrem a cada ano vítimas do tabagismo. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à falta de informações claras para corpo civil, mas também em razão de políticas públicas excludentes.
Nesse sentido, é válido destacar a privação de informações precisas sobre como o tabagismo age no corpo dos fumantes. Nessa lógica, consoante aos dados do jornal CNN, a dependência à nicotina faz com que os usuários do cigarro tenham medo dos efeitos iniciais de ficar sem a substância. À vista disso, observa-se que a ausência de esclarecimento sobre as consequências e riscos do tabagismo ajuda a dificultar o abandono do vício, dado que o utilizador não possui uma visão ampla e clara das implicações da toxicomania à saúde. Dessa maneira, nota-se que, infelizmente, a carência de informações torna-se um forte obstáculo à qualidade de vida dos fumantes e, por consequência, há a manutenção dos altos níveis de usuários no país. Logo, os cidadãos fumantes são vítimas da escassez de explicações concisas acerca dos impactos dos produtos derivados do tabaco.
Além disso, é imprescindível salientar a inércia estatal em exercer políticas públicas eficazes que reduzam as mazelas sociais. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com a saúde de sua população. Diante disso, conforme bases do jornal BBC, embora existam na rede pública de saúde campanhas de acolhimento para ajudar fumantes a saírem do vício, elas estão concentradas nos centros das grandes cidades. Percebe-se, assim, que o acesso a tratamentos acontece de forma desigual e não democrática nos municípios brasileiros. Tal atitude lamentável expressa perigo para a manutenção de uma vida saudável e equilibrada para os indivíduos que necessitam de auxílio e de assistência para deixar de forma definitiva o hábito de fumar.
Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de campanhas publicitárias claras em TV aberta, alertar e conscientizar a população sobre as consequências do tabagismo, a fim de desenvolver o pensamento crítico dos cidadãos. Paralelamente, ele deve, por intermédio de sólidos investimentos, destinar verbas para a democratização de tratamentos contra o vício à nicotina em todos os municípios do país, com o objetivo de tornar a terapia acessível a todos. Dessa maneira, será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer.