Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 19/11/2021

A Constituição Federal de 1988 em seu artigo 6 ° afirma que saúde é um direito inerente a todo cidadão brasileiro. Todavia, o Brasil ainda enfrenta grandes dificuldades no cumprimento dessa prerrogativa, observando-se, por exemplo, o persistente desafio no combate ao tabagismo no país. Conceituado como uma doença causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco, o tabagismo é uma problemática grave que ainda persiste devido à neglicência do Estado no desenvolvimento de ações informativas sobre os males do uso e quais alternativas para a cura do vício, além da banalização do tema por parte de mídias e autoridades competentes.

Em primeira análise, destaca-se que no Brasil já existem, pelo Sistema Unificado de Saúde (SUS), algumas alternativas de tratamento para quem sofre com o tabagismo, entretanto, essas ações ainda são insuficientes ou pouco divulgadas fazendo com que os números de dependentes de tabaco no Brasil ainda seja elevado, como comprova os dados de 2019 da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, que apontam que 9,8% dos brasileiros ainda têm o hábito de fumar, o que representa aproximadamente 22 milhões de pessoas,.

Outrossim, o combate ao tabagismo ainda é pouco consolidado por causa do fato da venda e seu consumo serem legais na maior parte do mundo, sendo considerado por muitos menos prejudicial, contudo, essa banalização do tema é imprópria, visto que, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo, dessas, 161.853 são no Brasil. Mesmo com dados alarmantes como esse, é pouco comum debates em redes sociais, mídia de televisão e até mesmo escolas sobre o assunto e sua gravidade, quando comparado a abordagem em relação a outros tipos de drogas.

Depreende-se portanto, que melhores condutas sejam adotadas na resolução desse problema. Para que haja um amplo conhecimento sobre o assunto, o Ministério da Saúde deve amplificar os tratamentos para o tabagismo na maior quantidade de postos de saúde possível, por meio de verbas destinadas a garantir o direito à saúde da população e em conjunto conscientizar a todos, fazendo uso de divulgação em cartazes e propagandas em mídias digitais para ajudar quem sofre com o vício. Paralelamente, o Ministério da Educação deve promover, em escolas principalmente, uma prevenção ao tabagismo, para evitar que mais jovens venham a viciar-se ao tabaco, pois parafraseando o famoso filósofo Epíteto somente a educação é capaz de libertar. Com essas ações, será possível melhorar a qualidade da saúde e consequentemente contribuir com cumprimento do artigo 6° da Constituição.