Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 18/11/2021
No século XX, filmes como “Casablanca” e “Bonequinha de Luxo” marcaram a história não somente por suas dramaturgias, mas também pelo enaltecimento do uso de tabaco. Não distante da ficção, a valorização empregada pela indústria midiática influenciou a sociedade à prática do tabagismo, o que resultou em impactos no bem-estar dos indivíduos. Nesse sentido, faz-se necessário compreender os fatores que atuam para culminar na permanência dessa temática, com destaque para a inobservância estatal e a omissão midiática.
Primeiramente, cabe ressaltar o papel que o Estado exerce no que concerne à questão do tabagismo na contemporaneidade. Segundo a Constituição Federal de 1988, a garantia à saúde é um direito cívico brasileiro. Entretanto, o Poder Público não cumpre com a governança necessária para realizar a manutenção desse direito, já que pratica a omissão, por meio da imperativa inércia na diligência da mitigação do uso de cigarros no território nacional, com ausência de políticas públicas nessa esfera. Ademais, a problemática ainda é intensificada devido às inovações da indústria do tabaco, exemplificada pelo surgimento dos cigarros eletrônicos, que, por sua vez, são amplamente utilizados por adolescentes e jovens adultos no mundo e carecem de legislação específica no Brasil.
Além disso, deve-se analisar também a inoperância midiática no que tange à temática. De acordo com o pensamento ilustre de Pierre Bourdieu, os mecanismos criados para serem instrumentos da democracia não podem ser convertidos em mecanismos de opressão. Dessa forma, a notável carência de conteúdo sobre tabagismo nas emissoras televisivas nacionais denota a alienação que esse órgão contribui para fundamentar no corpo social, já que, torna-se impraticável combater uma adversidade que não é debatida pela população, e a difusão ineficaz nesse ponto exacerba tanto as causas, como as consequências da permanência da proposição como um problema social e de saúde pública.
Por fim, é notável que a perenidade do uso de tabaco é uma questão desafiadora para o governo federal. Portanto, cabe à mídia brasileira – veículo responsável pela disseminação de informação – elaborar e implementar matérias jornalísticas sobre o tema, por meio do apoio e fomento do Poder Executivo, com o objetivo de reduzir os impactos na saúde da população. Destarte, os filmes do século XXI contrastarão com os do século XX por retratar uma sociedade livre das mazelas do tabagismo.