Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 01/03/2022

Em “Recordações da Casa dos Mortos”, Dostoiévski retrata o cotidiano de prisioneiros em uma prisão de proteção especial na Sibéria. Nesse contexto, diante do triste fim destinado para cada um deles, havia uma busca incessável para possibilitar a entrada de cigarros ou bebidas dentro do presídio, apenas com o intuito de aliviar o sofrimento e esquecer os problemas. Não obstante, ainda hoje muitos recorrem ao uso do tabaco para esse fim, dando origem ao tabagismo, que ocasiona uma série de doenças. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a omissão do Estado e a desinformação.

Efetivamente, a negligência estatal mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Nesse sentido, contrariando as ideias de do filósofo Thomas Hobbes, o qual dizia que o Estado é responsável pela segurança e pelo bem-estar dos cidadãos, o parco investimento estatal em políticas públicas de combate ao tabagismo configura um grave quadro de exclusão e segregação. Paralelamente, é fato que esse impasse leva os indivíduos afetados ao olvidamento social. Assim, como os usuários de tabaco não encontram fonte de reabilitação disponível pelo Estado, dificilmente eles irão “abrir mão” do seu vício.

Outrossim, é evidente que tal situação é corroborada devido a desinformação generalizada sobre os prejuízos do tabagismo. Segundo Immanuel Kant, em sua teoria do Imperativo Categórico, os indivíduos deveriam ser tratados, não como coisas que possuem valor, mas como pessoas que têm dignidade. Entretanto, quando a indústria do tabaco encoberta os malefícios em longo prazo que o cigarro causa, os usuários ficam cegos para o mal que estão causando a si próprios, tirando a dignidade dessas pessoas em conhecer a verdade. Desse modo, a desinformação é um dos fatores para a permanência do tabagismo na sociedade.

Portanto, para que o consumo excessivo de cigarro deixe de fazer parte da população, medidas são necessárias. Dessa maneira, urge ao Ministério da Saúde iniciar um novo programa de governo nas capitais brasileiras cuja finalidade é a reabilitação de usuários, bem como a informação acerca dos malefícios do tabaco. Destarte, a sociedade estaria bem informada e os tabagistas seriam libertos do vício, evitando cometer o mesmo erro das personagens de Dostoiévski.