Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 20/07/2022

Segundo Sartre, o homem é capaz de escolher as suas ações, pois é livre e res-ponsável. No entanto, tal responsabilidade não é vista no que tange o tabagismo no século XXI, que tem levado pessoas cada vez mais jovens ao vício e, consequen-temente, ao desenvolvimento de patologias associadas, como o câncer de pulmão. Nesse contexto, configura-se um complexo problema que tem, como causas, a in-visibilização e o hedonismo.

Nesse cenário, em primeiro plano, o silenciamento impacta na questão. Para Li-lia Schwarcz, o Brasil possui prática na política de eufemismos, ou seja, determina-dos problemas tendem a ser suavizados. Tal suavização é notória na problemática do vício em cigarros no período atual, uma vez que, além de pouco se falar sobre o tema na grande mídia, nas escolas, por exemplo, também há carência de debates e fóruns de discussão sobre as consequências do fumo e a importância de evitá-lo desde a juventude, o que impede que muitos jovens recusem a primeira experiên-cia e previnam a dependência. Assim, mitigar a postura negligente é necessário.

Além disso, é coerente apontar a cultura hedonista como um fator do proble-ma. De acordo com o Hedonismo, doutrina moral grega, a finalidade última do ho-mem é satisfazer prazeres efêmeros. De fato, a conduta hedonista influencia na questão do tabagismo, visto que, buscando a sensação de satisfação decorrente da liberação de dopamina nas sinapses cerebrais, uma parte considerável do corpo ci-vil recorre à nicotina sem antes refletir sobre os danos futuros que podem ser cau-sados à sua saúde. Destarte, é fundamental que haja uma mudança de conduta.

Portanto, urge intervir nesse problema. Para tal, o Ministério da Saúde, em par-ceria com o Ministério da Educação, deve fomentar campanhas publicitárias na TV, bem como workshops em locais públicos e privados, a exemplo de ambientes esco-lares, sobre os malefícios do uso de cigarros e as formas de combatê-lo no ciclo de familiares e de amigos, por meio da elaboração, votação e sanção de uma Lei de Diretrizes Orçamentárias que destine verbas para a viabilização do projeto, a fim de mitigar a falta de debate e o hedonismo que imperam na temática. Tal ação po-de, ainda, contar com divulgação nas redes sociais para alcançar mais pessoas. Dessa forma, a responsabilidade sartriana poderá ser vista na realidade.