Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 07/08/2022

No romance “Os sete maridos de Evelyn Hugo”, de Taylor Jenkins, a atriz “hollywoodiana” Celia St. James é adepta do uso do tabaco, prática assaz presente no ambiente cinematográfico do século XX, quando era associada ao ideal de glamour. Paralelamente à ficção, as sociedades contemporâneas enfrentam as implicações perniciosas da herança desse hábito, o qual persiste a despeito da divulgação de seus malefícios. Dentre esses, figuram como principais o desenvolvimento de doenças graves e a degradação do meio ambiente.

A priori, cumpre ressaltar que o tabagismo corrobora com a deterioração da saúde do indivíduo. Nesse sentido, embora os usuários estejam cientes dos riscos - os quais, inclusive, são expostos nas próprias embalagens de cigarro -, o efeito psicoativo da nicotina, principal substância tóxica contida no produto e responsável pelo vício, interfere na tomada de decisões salutares pelos dependentes. Sob esse viés, a série documental “The Crown” apresenta o drama do Rei George VI, que, mesmo após ser diagnosticado com câncer de pulmão, é incapaz de cessar o fumo, o qual esteve na gênese de seu quadro clínico e culminou em seu falecimento. Dessa forma, a profilaxia faz-se impreterível.

Aliás, é imperioso salientar que tal problemática potencializa a dilapidação dos recursos naturais. Nesse aspecto, segundo dados de 2021 do Ministério da Saúde, 600 milhões de árvores são cortadas anualmente para a produção de cigarros, e 84 milhões de toneladas de CO2 - gás poluente associado ao aquecimento global - são emitidas em sua utilização. Sob esse prisma, constata-se que a toxicomania fomenta a exploração predatória da natureza e compromete a qualidade de vida da coletividade. Logo, insta que essa mazela seja combatida.

Depreende-se, portanto, que o hábito tabático compromete a integridade física dos sujeitos e da biosfera. Urge, então, que o Ministério da Saúde - órgão de salvaguarda da saúde pública -, por intermédio do investimento de verbas federais em infraestrutura médico-hospitalar, amplie o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, a fim de facilitar aos adictos o acesso ao tratamento adequado. Ademais, é mister que as instituições de ensino e a Mídia reforcem a realização de campanhas preventivas. Dessarte, mitigar-se-á esse impasse em território nacional.