Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 25/08/2022

Tabagismo: a naturalização do vício

Em “O auto da barca do inferno”, o escritor Gil Vicente tece uma crítica ao com- portamento vicioso existente na sociedade do século XXI. Assim como retratado na obra, o fumo se tornou um hábito compulsório e, consequentemente, um ato ba- nalizado ao longo do território nacional. Nesse viés, a busca por prazer agravada pelo contexto histórico social e as consequências negativas à saúde física e mental corroboram a permanência dos atuais desafios contra o tabagismo no país.

Diante desse cenário, os reflexos de uma sociedade estilizada e negligente medi- ante à saúde se fazem presentes na atualidade. Na década de 1950, o cigarro era considerado instrumento de elegância e relevância social, associado ao prazer e ao respeito coletivo, tornando excludentes os verdadeiros prejuízos. De acordo com o filósofo Rousseau, “o ser humano é o produto do ambiente em que vive”, logo, comportamentos vivenciados na infância são reproduzidos na fase adulta, trans- formando-os em normais e, cada vez mais, banais na sociedade.

Ademais, o ciclo vicioso à procura de um ideal feliz e prazeroso expõe consequên- cias negativas à saúde da humanidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é responsável por uma a cada dez mortes no mundo, consta- tando a gravidade da doença. Além das enfermidades físicas- como câncer e tuber- culose- a nicotina, substância presente no cigarro, estimula centros de recompen-sas cerebrais, de modo que induza o consumo e, caso contrário, despertará sensa- ções como ansiedade e irritabilidade, levando à possíveis doenças crônicas no fu- turo. À vista disso, mostra-se, com clareza, a necessidade de enfrentamento às ações compulsórias na modernidade.

Portanto, medidas que visam intervir na dependência são essenciais ao país. Pa- ra isso, o governo federal, por meio do Ministério da Saúde em comum acordo com o Ministério da Educação, deve criar campanhas de instrução nas escolas, a começar por atividades didáticas, a fim de garantir o bem-estar físico e mental des- de a infância. Com isso, romper comportamentos viciosos, como representado por Gil Vicente, e fazer com que a população brasileira se torne mais saudável.