Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?
Enviada em 22/10/2026
A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 23, inciso V, o acesso à tecnologia como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado, adequadamente, quando se observam os impactos causados na saúde mental pelo uso desenfreado da internet. Nessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da inércia do Estado em relação à regulamentação das redes sociais geradoras de sucessivos estímulos neurais e à liberdade excessiva ao acesso às telas, concebida pelos pais.
Em um primeiro momento, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais eficazes que determinem quais tipos de conteúdos podem ser disponibilizados de acordo com seu nível de interação
Nesse sentido, redes sociais como “Tiktok” e vídeos curtos do “YouTube”, tornam-se mais nocivos, de acordo com psiquiatras, por proporcionar ininterruptos ativos no cérebro. A obra “Modernidade Líquida “, do escritor e sociólogo Zygmunt Bauman, descreve uma sociedade contemporânea marcada pela efemeridade e instabilidade. O prazer imediato proporcionado pelas telas, atua como um preenchedor de lacunas emocionais e sociais.
Ademais, é fundamental apontar o acesso indiscriminado das redes, por crianças, prejudicando seu desenvolvimento psíquico. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), até os dois anos não é recomendável o uso de telas em nenhum nível, de 2 a 5 anos pode ser disponibilizado até uma hora de acesso e de 6 a 10 anos, de 1 a 2 horas, sempre com a supervisão de adultos, todavia, tal recomendação não vem sendo adotada, causando uma dependência na primeira infância, infelizmente evidenciada no país.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Saúde em conjunto com as Unidades Básicas de Saúde, providenciem cartilhas e campanhas educativas descrevendendo os malefícios causados pela uso precoce de telas. Tal material deveria ser entregue no pré-natal, a fim de informar e educar os pais, prevenindo um problema futuro. Com essa iniciativa o Brasil poderá alcançar uma sociedade mais sadia.