Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 26/09/2024

De acordo com o documentário “O Dilema das Redes”, as redes sociais foram responsáveis por modificar o comportamento humano moderno. Em outras palavras, isso pode ser observado pelo uso de mecanismos capazes de prender a atenção dos usuários nas plataformas, os quais geram, posteriormente, problemas como depressão, ansiedade e estresse. Dessa forma, percebe-se a necessidade de análise dos dois maiores rivais à saúde mental dos dependentes tecnológicos: a Indústria Cultural bem como a construção do ciclo de hábitos dopaminérgicos.

Sob esse prisma, é primordial destacar a perspectiva mercadológica brasileira como principal rival à saúde mental dos usuários. Nessa conjuntura, os sociológos alemães Adorno e Horkheimer definem que a Indústria Cultural prioriza a lucratividade em detrimento de valores. Nesse cenário, as empresas brasileiras - estruturadas em base capitalista - atuam a partir do uso de publicidades nas redes as quais fomentam o consumismo. No entanto, essa forma de manipulação desvaloriza a integridade dos usuários na medida em que atrela a sensação de bem-estar mediante a aquisição de um produto, provocando impactos psicológicos devido ao excesso de exposição à essas propagandas.

Além disso, atesta-se que o prejuízo à saúde mental da sociedade em decorrência da toxicidade das redes tende a permanecer intrisecamente ligado à realidade da nação. Isso porque, segundo a teoria do escritor Charles Duhigg em seu livro “O Poder do Hábito”, as novas tecnologias fazem uso de ferramentas dopaminérgicas as quais prendem os usuários em um ciclo de ação e recompensa. Diante do exposto e levando-se em conta o tempo dedicado às telas, o vício social pela tecnologia é instaurado, o que prejudica o pensamento crítico populacional futuro pela passividade dos sujeitos no ambiente cibernético.

Com isso, notam-se os rivais à saúde mental no eixo temático tecnológico. Portanto, cabe ao TCU (Tribunal de Contas da União) o investimento em instituições capazes de limitar o monopólio midiático. Para tanto, isso pode ser feito por meio do fornecimento de incentivos fiscais à corporações como o Ministério das Comunicações - órgão responsável por regulamentar os serviços de rede - com o objetivo de combater a Indústria Cultural e garantir a integridade.