Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 24/09/2024

As revoluções industriais acarretaram a ascenção das tecnologias de informação, muito presentes no cotidiano dos brasileiros. Dessa forma, o novo estilo de vida marcado pela presença contínua em meio virtual afeta de forma majoritariamente negativa a saúde mental dos indivíduos. Tal revés perdura pela invisibilidade do tema e pela omissão estatal.

Nesse contexto, é notório que a falta de engajamento popular em discussões sobre a relação entre saúde mental e tecnologia influi na perpetuação do proble-ma. Acerca disso, Djalma Ribeiro afirma que é necessário dar visibilidade a um tema para que soluções possam ser aplicadas, ou seja, é necessário que a popu-lação esteja ciente de que a exposição à uma realidade completamente modificada e comparação com “vidas perfeitas” pode prejudicar a estabilidade psicológica. Porém, os canais midiáticos (jornais, televisão, revistas) não possuem instruções suficientes ao usuário sobre esse comportamento, que continua a ocorrer e, segundo a Superinteressante, pode originar problemas como depressão e ansiedade. Assim, é necessário a distinção entre o conteúdo digital e a realidade.

Ademais, a falta de ação estatal é outro fator que impede a superação do empecilho. Referente a isso, Michel Focault afirma que é papel governamental a garantia do bem-estar dos indivíduos, o que inclui a instrução do bom uso das redes sociais, agente que afeta fortemente a saúde mental. Entretanto, a estabilidade psicológica da população não está entre as prioridades da esfera administrativa, uma vez que não há iniciativas que visam minimizar os impactos das tecnologias e, de acordo com a BBC Brasil, o país segue com o maior número de casos de depressão da américa latina. Dessarte, o Estado deixa de cumprir seu papel previsto pelo filósofo, o que afeta diretamente a população.

Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Saúde orientar a população sobre a utilização adequada das tecnologias e redes sociais. Tal medida deve se concretizar pela elaboração de palestras em universidades, escolas e centros comunitários, com a participação de psicólogos de destaque, bem como cientistas da computação e sociólogos. Desse modo, o bem-estar dos brasileiros será assegurado pela elucidação e pelo diálogo.