Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?
Enviada em 26/09/2024
No documentário norte-americano “Dilema das Redes”, retrata-se o impacto negativo das redes sociais na conjuntura social estruturada no capitalismo informacional. Concomitantemente, é nítido o vínculo entre a tecnologia e a saúde mental nas atuais sociedades. Logo, é uma realidade o silenciamento social perante o socioemocional e a desproporção do acesso ao meio tecnológico.
Diante desse cenário, é evidente a presença da omissão da saúde mental nas sociedades em rede. Nessa perspectiva, o filósofo Jean-Paul Sartre, afirma que existe um conceito chamado “acomodação social”, segundo o qual há alguns temas que são banidos da discussão coletiva. De maneira análoga ao pensamento de Sartre, a discussão acerca do impacto da era informacional no socioemocional geracional, embora seja relevante para o início do processo de ressignificação do uso das mídias digitais, não recebe a devida importância, haja vista a ausência de projetos sociais voltados ao combate da nomofobia -vício em telas-, bem como a inoperância governamental no desenvolvimento de áreas de lazer. Dessa forma, nota-se que esse fator promove uma grave ruptura na contemporaneidade.
Além disso, é válido ressaltar a assimetria social ao acesso tecnológico voltado à saúde. Nesse viés, de acordo com o filósofo John Locke, a população deve confiar no Estado, que, por sua vez, deverá garantir os direitos individuais e coletivos. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Locke, o Estado precisa não apenas efetivar a prática dos direitos sociais, mas também garantir que suprirá as necessidades básicas na era informacional gratuitamente. Desse modo, enquanto a desigualdade for operante, a tecnologia será indiferente nas camadas populares.
Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que a relação socioemocional tecnológica é ambígua. Urge, portanto, que o Ministério da Saúde -órgão responsável pelo bem-estar social brasileiro- faça a criação de centros de lazer contemporâneos e projetos sociais de psicoterapia remotamente, por meio de verbas estaduais voltadas ao desenvolvimento social, para que o uso da tecnologia seja um auxiliar do progresso da sociedade informacional. Pois, somente assim, o contexto de “Dilema das Redes” será reformulado na hodiernidade.