Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 24/09/2024

Mobilização do Estado para o uso saudável da tecnologia

Em 1948, a Organização das Nações Unidas criou uma das leis mais relevantes da história recente: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo garante o direito à saúde. Todavia, o uso inadequado da tecnologia impede que a sociedade vivencie o direito assegurado pela ONU. Assim, há de se combater o silenciamento social sobre os riscos da tecnologia para a saúde humana.

Diante desse cenário, Jean-Paul Sartre afirma, em sua obra “O ser e o nada” que existe o conceito conhecido como “Acomodação Social”, segundo o qual há alguns temas sociais banidos da discussão social. Sob a lógica de Sartre, a discussão acerca dos problemas de saúde causados pela tecnologia, embora seja relevante para a sociedade, não recebe a devida importância. Tal negligência prejudica adultos, crianças e adolescentes, haja vista que a maioria da população está conectada e sem conhecimento dos riscos advindos da tecnologia que estão utilizando. Assim é incoerente que ainda convivamos com o arcaico dilema do silenciamento social.

Ademais, Norberto Bobbio - expoente filósofo italiano - afirma que as autoridades devem, não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua deles na prática. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Bobbio, o Estado precisa não apenas criar políticas públicas que assegurem o direito à saúde, mas também garantam que a sociedade vivencie os benefícios em seu cotidiano. Essa falta de iniciativa é evidenciada pela carência de programas sociais para alertar a população quanto aos problemas do uso indiscrimidado da tenologia. Desse modo, enquanto a omissão estatal for regra, a comunidade estará fadada a conviver com o problema.

É urgente, portanto, que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde - responsáveis pela transformação social - contribuam para desenvolver a empatia do indivíduo em relação ao mal uso da tecnologia, por meio de projetos sociais, como ações comunitárias, a exemplo de publicidades em escolas. Essa iniciativa terá a finalidade de mobilizar o Estado a melhorar a saúde da população e de garantir que o conceito assegurado pela ONU, seja, em breve, a realidade no Brasil.