Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 24/09/2024

Em “O Auto da barca do inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica incisiva ao comportamento vicioso da sociedade do século XVI, refletindo sobre as consequências morais de suas ações. De forma análoga, o Brasil do século XXI enfrenta dilemas semelhantes, onde o uso excessivo da tecnologia não apenas transforma a comunicação, mas também gera impactos profundos na saúde mental da população. A dependência das redes sociais, a sobrecarga de informações e a desconexão das interações humanas reais levantam questões cruciais sobre o equilíbrio entre os benefícios tecnológicos e os riscos associados ao bem-estar psicológico.

Deve-se pontuar, de início, que a democratização das redes sociais e sua auto-exposição demasiada influi decisivamente na consolidação do problema. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumentos de lembranças e alegria não deve ser convertida em mecanismo de competição e comparação. Nessa perspectiva, pode-se observar que as mídias sociais em vez de promover a união e o compartilhamento, frequentemente exarcebam o confronto e a desigualdade, gerando sentimentos de inadequação entre os usuários.

Em consequência disso, surge a questão da saúde mental, que intensifica a gravidade do problema. Nos últimos anos, o número de casos de depressão, ansiedade e até suicídio têm aumentado gradativamente impactando de forma negativa a sociedade. A busca pela vida e pelo corpo dos sonhos têm adoecido cada vez mais a cabeça das pessoas, levando-as à alienação por uma realidade irreal.

Em síntese, a relação entre tecnologia e saúde mental no contexto atual revela um dilemas complexo. Embora as redes sociais tenham o potencial de conectar pessoas, seu uso excessivo pode levar a sérios impactos na saúde emocional. Por isso é fundamental que a sociedade busque um equilíbrio, promovendo um uso consciente da tecnologia, que priorize o bem-estar psicológico. Apenas assim poderá haver a transformação das mídias sociais de modo positivo para assim construir uma vida mais saudável e integrada.