Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 12/10/2024

A Constituição Federal de 1988 prevê a garantia de direitos fundamentais a to-dos os cidadãos brasileiros, entre eles o acesso à saúde, visando a prevenção, dia-gnóstico e tratamento. Com isso, a crescente digitalização da sociedade traz à tona debates sobre o impacto do uso excessivo das redes sociais na saúde mental. Nes-se contexto, as alterações emocionais e a dependência de estar sempre conectado são fatores centrais para considerar a tecnologia como uma possível inimiga da sa-úde mental.

Por esse viés, vale analisar as alterações emocionais por estar sempre conec-tado. Segundo Guy Debord, que fala sobre a sociedade do espetáculo, o consumo exacerbado e as mudanças comportamentais, fazem com que as pessoas parem de ser para ter. Sob tal ótica, a depressão e ansiedade surgem por marcadores so-cioculturais, que instituem padrões de beleza e comportamento, vistos através das telas. Dessa forma, as pessoas passam a se comparar com fragmentos de rotinas mostrados na internet, fazendo comparações e criando frustrações em sua própria realidade, ao não conseguir atingir o que vê nos outros.

Além disso, a dependência em se manter sempre conectado traz outros riscos para a saúde mental. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, 51% das pessoas ficam nervosas ou ansiosas ao ter seu celular sem bateria ou internet. Nesse sentido, as telas alteram neurotrans-missores do bem estar, fazendo com que os usuários das redes fiquem mais tempo utilizando as plataformas digitais. Logo, os indivíduos recebem muita informação, não conseguem absorver, enfrentando dificuldades de concentração e na formula-ção do pensamento crítico.

Fica evidente, portanto, os motivos para a tecnologia ser uma possível inimiga da saúde mental. Sendo assim, urge que o Ministério da Saúde em conjunto com as secretarias municipais criem campanhas de conscientização sobre o uso de tecno-logias, bem como programas de tratamento nas escolas e unidades de saúde, por meio de verbas públicas, a fim de prevenir e tratar casos de ansiedade e depressão devido ao uso excessivo de tecnologias.Para que assim, seja feita a utilização de forma consciente tranformando a tecnologia em uma aliada da população.