Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 28/09/2024

“O Dilema das Redes”, documentário produzido pela Netflix, expõe como os algoritmos das redes sociais operam em benefício de interesses financeiros e políticos, moldando a educação e o pensamento crítico. Nesse contexto, o impacto dessas plataformas na saúde mental torna-se alarmante. Assim, tal problemática se agrava pela ausência de legislações que salvaguardem a privacidade dos usuários e pela constante busca de validação online por parte das pessoas.

Em primeiro plano, a falta de legislações que garantam aos usuários o poder de escolha sobre o que desejam consumir online perpetua o dilema. À vista disso, sem regulamentações adequadas, as plataformas digitais operam sem restrições, permitindo que conteúdos prejudiciais, como desinformação, discursos de ódio e padrões de beleza irrealistas, se propaguem livremente. Além disso, a ausência de diretrizes claras para o uso de dados pessoais contribui para a manipulação do comportamento dos usuários, tornando-os alvos fáceis de estratégias de engajamento que priorizam o lucro em detrimento do bem-estar.

Por conseguinte, a constante busca de validação online por parte das pessoas exemplifica um dos resultados dessa problemática. Sob essa ótica, Zygmunt Bauman, em “A Modernidade Líquida”, evidencia que as relações interpessoais se tornam superficiais e voláteis; com isso, a aprovação nas redes sociais transforma-se em um termômetro para a autoestima. Logo, essa dependência de curtidas e comentários como medida de valor pessoal alimenta um ciclo vicioso, no qual a felicidade está cada vez mais atrelada à interação digital. Dessa forma, a efemeridade das conexões virtuais, característica da modernidade líquida, acentua a insegurança e a ansiedade.

Portanto, é imprescindível que o Estado e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), em conjunto, elaborem políticas públicas que promovam a educação digital e a conscientização sobre o uso saudável das plataformas, por meio de campanhas informativas e programas educacionais em escolas e comunidades, a fim de esclarecer os impactos das redes sociais e assegurar os direitos dos usuários, além de preservar a saúde mental, especialmente entre os jovens. Assim, será possível criar um ambiente virtual que priorize o bem-estar.