Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 29/09/2024

O uso crescente da tecnologia no cotidiano gerou facilidades no acesso à informação, mas também desafia a saúde mental e o bem-estar da população. Segundo o psicólogo da Unimed VTRP, Luis Fernando da Veiga, as alterações emocionais estão relacionadas a marcadores socioculturais que estabelecem padrões de beleza, comportamento e felicidade, contribuindo para problemas emocionais. Logo, embora a tecnologia ofereça benefícios, ela traz obstáculos significativos para um futuro equilibrado, exigindo maior cuidado e conscientização em seu uso.

Em primeiro lugar, a relação entre tecnologia e saúde mental é marcada por uma dualidade. De um lado, ela oferece ferramentas valiosas, como aplicativos de meditação e plataformas de terapia online, ampliando o acesso a tratamentos, conforme o Relatório Global sobre Saúde Mental da OMS (2022). Por outro lado, o uso excessivo de redes sociais, segundo a Royal Society for Public Health, está associado ao aumento de ansiedade e depressão, especialmente entre os jovens. Portanto, a tecnologia pode ser tanto aliada quanto rival da saúde mental, dependendo de seu uso.

Em segundo lugar, a tecnologia impacta a saúde mental pela hiperconectividade e excesso de informações. O fluxo constante de notificações e a pressão para estar sempre online promovem sobrecarga e inadequação. Segundo Sherry Turkle, em Alone Together (2011), a conexão digital excessiva pode prejudicar relações interpessoais e aumentar o isolamento, gerando ansiedade e estresse. Desse modo, é crucial usar essas ferramentas de forma consciente para torná-las aliadas

Portanto, é essencial reconhecer a dualidade da tecnologia em relação à saúde mental e promover intervenções eficazes. O Ministério da Saúde poderia implementar campanhas de conscientização sobre o uso responsável da tecnologia, focando na educação sobre saúde mental em escolas e comunidades. Essas campanhas poderiam incluir workshops que ensinem estratégias de autocuidado e a importância de desconectar-se periodicamente. Ademais, parcerias com plataformas digitais para promover conteúdo que favoreça o bem-estar mental ajudariam a criar um ambiente digital mais saudável.