Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 08/10/2024

“Eu, Robô”, de Isaac Azimov, é uma obra fictícia na qual a tecnologia exerce influencia absoluta sobre o comportamento humano. Paralelamente à ficção, no Brasil atual, a saúde mental dos indivíduos também está sujeita aos sistemas de informação. Se por um lado, tal cenário possibilita maior atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, por outro, cria um ambiente tóxico e prejudicial.

Nesse contexto, é notório que a democratização da internet possibilita o maior auxílio a pessoas que precisam de atendimento psicológico. Referente a isso, o CVV (Centro de Valorização da Vida) se configura um forte exemplo de como canais de comunicação virtuais podem ser benéficos, ao promover a atenção a pessoas que, por instabilidade emocional, possuem ideações suicidas. Sob esse viés, inúmeros outros canais, gratuitos ou a preços acessíveis, possuem o potencial de promover o bem-estar da psique de grande parte da população, seja por membros voluntários ou por médicos especializados. Desse modo, em um país que, de acordo com a BBC Brasil, 90% da população não possui acesso a médicos de qualidade pelos meios tradicionais, a internet se torna uma aliada.

Por outro lado, as redes sociais, como instagram e tiktok, podem prejudicar a integridade psíquica dos usuários. Acerca disso, no filme “Her” o personagem do Joaquin Phoenix se apaixona por uma inteligência artificial. Analogamente, a reali-dade virtual pode induzir os consumidores a comportamentos nefastos, como a comparação excessiva com pessoas que apresentam “vidas perfeitas”, o que, segundo a Superinteressante, ocasiona a baixa autoestima e pode iniciar ou agravar quadros como depressão e borderline. Dessa forma, sob essa perspectiva, grande parcela da população se encontra sujeita à indução de comportamentos auto degradantes pelas tecnologias.

Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, conscientizar a população sobre a navegação saudável na internet por meio de palestras em todos os níveis de educação. Tal iniciativa deve contar com psicólogos, pedagogos e psiquiatras de destaque. Assim, a população passará a utilizar dos computadores e celulares de forma não prejudicial e em prol da saúde e bem-estar.