Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 31/10/2024

Em 2019, o cantor Tiago Iorc lançou o clipe “Desconstrução” — uma releitura da música “Construção”, de Chico Buarque, que critica a relação doentia da sociedade com as redes sociais. Se na época de “Cosntrução” o mal era a invisibilidade do tra-balhador, em “Desconstrução” esse mal é a dependência da atenção de seguidores fantasmas. Dessa forma, a música aborda uma questão atual e de discussão neces-sária, que é a relação controversa entre tecnologia e saúde mental. Afinal, ao mes-mo tempo em que a tecnologia traz benefícios, seu uso excessivo se mostra desen-cadeador de doenças mentais e de outros distúrbios. Dessa forma, é necessário e-ducar a população para um uso saudável e consciente dessas ferramentas.

A princípio, é preciso observar que o contato com a tecnologia começa cedo na vida das crianças. A geração Alpha, também conhecida como a dos nativos digitais, começa a usar o celular antes mesmo de aprender a falar. Quando colocamos em questão teorias como a Psicologia do Desenvolvimento de Vigotsky, que fala em e-tapas sucessivas que devem ser respeitadas para o desenvolvimento saudável do indivíduo, fica claro que, a longo prazo, esse uso precoce pode criar dependência e prejudicar o desenvolvimento social da criança, diretamente ligado à saúde mental.

Além disso, crianças e adolescentes não possuem maturidade para lidar com a pressão das redes sociais, por exemplo, e sua exposição precoce pode causar qua-dros de adoecimento como o ocorrido com a influenciadora Luara Fonseca — “tik-toker” desde os 8 anos de idade, ela enfrentou sérios problemas de saúde mental na adolescência por causa da cobrança excessiva pelo sucesso nas redes e dos co-mentários maldosos recebidos em seus perfis.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que conduzam a uma relação mais saudável com as tecnologias. Cabe ao Ministério da Educação, órgão respon-sável pela regulação do ensino no Brasil, inserir na Base Nacional Curricular uma a disciplina de educação para as mídias e tecnologias, que deverá alcançar todos os anos da educação básica, a fim de promover práticas de uso benigno das tantas tecnologias hoje disponíveis. Dessa forma, a geração Alpha e as futuras gerações poderão usufruir dos benefícios das tecnologias, sem sofrer com os dramas de seu mau uso.