Tecnologia e saúde mental: rivais ou aliadas?

Enviada em 29/10/2024

A democracia moderna possibilitou o surgimento do Estado de bem-estar social ou, como foi chamado por Otto Von Bismarck, " Welfare State": aquele que garante os direitos essenciais à totalidade da população. Entretanto, ao observar o paradigma da tecnologia e saúde mental no Brasil, percebe-se que o Estado nacional não segue adequadamente esse modelo governamental. Nesse sentido, as principais dificuldades da problemática consistem na formação comercial da tecnologia e na inoperância estatal.

Primeiramente, a ascensão tecnológica culminou na disseminação dos meios informacionais. Nesse contexto, o setor de engajamento publicitário sobrecarrega o cidadão comum através da mercantilização das redes sociais, o que cria novas necessidades para estimular o consumo. Prova disso é a ideia criada, pelo geógrafo brasileiro Milton Santos, de que o consumismo leva ao emagrecimento moral e intelectual da pessoa, o que resulta na construção ideal do mercado consumidor. Desse modo, a saúde mental da população é moldada diretamente pela ideologia do mercado, que repercute na constante insatisfação mental do individual.

Ademais, a inoperância estatal frente ao equilíbrio entre o uso tecnológico e a saúde mental colabora para seus infortúnios. Sob essa ótica, a obra “Cidadão de Papel”, do jornalista Gilberto Dimestein, explica que a cidadania brasileira, apesar de assegurada na legislação, não é acessível para todos na prática. Diante disso, evidencia-se que a ausência de uma regulamentação eficaz do Estado brasileiro, no que concerne à utilização consciente e saudável da tecnologia, é uma afronta aos direitos do cidadão, visto que essa situação atinge o bem-estar psicológico.

Por fim, são necessárias reformas sociais para ponderar a tecnologia e a saúde mental. Portanto, cabe ao Estado - maior promotor de políticas públicas - incentivar uma educação crítica e reflexiva do cidadão, bem como limitar a quantidade de anúncios nas rede sociais, por meio do direcionamento de parte do PIB para a realização dessas medidas. Assim, essas ações terão o objetivo de promover a criticidade do cidadão e diminuir a saturação publicitária, o que promoverá a saúde mental da população e, consequentemente, o desenvolvimento do Estado de bem-estar social no país.