Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 16/05/2018

Nas últimas décadas do século XX, especialistas previam que diversos segmentos seriam alterados pela revolução tecnológica. o que se via em filmes de ficção científica, como os de George Lucas, tornar-se-ia realidade. Contudo, o que poucos acreditavam era que a democracia seria tão atingida.

A Constituição Federal brasileira de 1988 traz e aplica o conceito de democracia conforme os gregos o projetaram - o poder em exercício pelo povo. A Carta Magna estabelece que o povo exerce o poder, de forma direta e indireta, nas decisões coletivas. Todavia, os constituintes não consideraram uma invasão tecnológica na democracia capaz de corroborar ou ferir o verdadeiro sentido de decisão popular.

Essa invasão tecnológica na democracia brasileira, hoje, expressa-se como o efeito borboleta. O bater das asas, um “enter”, é capaz de mudar os rumos da história. A utilização de urnas eletrônicas, vanguarda em processo eleitoral, trouxe agilidade e segurança ao processo democrático. A utilização de mídias eletrônicas aproximou eleitores de eleitos. O controle das ações do Estado pela população, por páginas e portais eletrônicos, foi um grande passo para gestão participativa. Todavia, a democracia brasileira corre sérios riscos com a tecnologia do mal. “Malware” e “fake news” são os principais desses vilões.

Diante do exposto, a filosofia oriental afirma que o indivíduo e, consequentemente, a sociedade devem buscar o equilíbrio. A tecnologia em excesso ou usada como arma é capaz de ferir a democracia. Na última eleição presidencial americana, invasão de “e-mail” e “fake new” foram responsáveis pela vitória de um candidato com pouca expressão no início das campanhas. Para as eleições brasileiras de 2018, a Polícia Federal e especialistas em tecnologia de informação discutem o veloz e devastador potencial de notícias falsas em redes e grupos sociais.

Por conseguinte, deve haver, por parte do Estado, a imediata criação e regulamentação de lei específica que coibam os crimes eletrônicos. Ética e moral na democracia devem ser pauta em escolas e universidades para garantia de uma sociedade mais íntegra. O aprimoramento e difusão da tecnologia no processo democrático deve ser incentivado em todos os setores do Estado e na sociedade civil. O Manifesto Futurista afirmava que o futuro é agora. Por conseguinte, o Brasil não pode ignorar a tecnologia, tampouco deixar que o princípio constitucional democrático seja ferido.