Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 17/05/2018
O manifesto Diretas Já foi um dos movimentos com maior participação popular da história do Brasil e não contou com o uso do Facebook ou WhatsApp. Hoje, com o avanço dos recursos tecnológicos de comunicação em prol democracia, a possibilidade de participação social se tornou ainda mais efetiva. Todavia, o uso adequado da ciberdemocracia e o engajamento na consolidação dessa revolucionária ferramenta virtual em meio sociedade brasileira ainda são insuficientes.
O falso ativismo nas redes sociais é uma realidade cada vez mais agravante no país, pois a população está mais acomodada do que nunca, usando o ciberativismo pelo simples fato de mostrar interesse pela situação país, porém poucos vão além dos “likes” e dos protestos repletos de hipocrisia e superficialidade. No entanto, conforme dados obtidos pelo F/Radar (panorama do Brasil na internet), 63% dos ativistas acreditam que as redes sociais os influenciam a participarem presencialmente dos movimentos sociais. Logo, o obstáculo não está no meio pelo qual a atuação democrática das pessoas tem se concretizado, mas no hábito que o povo tem de enxergar a web como um mero entretenimento.
Outrossim, destaca-se o exíguo empenho de boa parte dos participantes desses movimentos como o impulsionador do problema. Segundo Karl Marx, as revoluções são como engrenagens, as quais só podem funcionar e mudar a história por meio de uma massiva e intensa mobilização social. Entretanto, percebe-se que, na maioria dos casos, apenas os líderes dessas manifestações se engajam de maneira mais enfática nos protestos e na criação ou utilização dos perfis sociais para otimizar a ciberdemocracia. Tal situação tem ameaçado o fortalecimento desse mecanismo democratizador, visto que ninguém é pago ou dispensado de seu emprego formal para atuar como ativista, o que torna ainda mais difícil investir tempo e esforços nesse valoroso trabalho.
Em síntese dos fatos expostos e de maneira análoga à lei da inércia, será necessário a atuação de uma força para modificar o atual cenário da democracia virtual. Portanto, é imprescindível que o Ministério das Comunicações promova campanhas, visando não apenas informar os indivíduos à respeito de páginas virtuais e aplicativos já existentes - como o Detector de Corrupção - mas, sensibilizá-los sobre o auxílio moral e apoio financeiro que deve ser dado aos que se engajam na causa social, focalizando na seriedade da ciberdemocracia e ensinando-os, por meio de tutoriais, a fazer o uso ético e eficaz dessa ferramenta. É indispensável, ainda, que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) execute, nas escolas brasileiras, projetos como workshops, palestras e recreação cuja finalidade seja instruir os alunos à cerca do ativismo social e criar uma cultura de comprometimento político, enfatizando a própria tecnologia como um canal facilitador para a cidadania efetiva.