Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 13/06/2018

“O caminho digital é sem volta”. A partir da frase de Paulo Coelho, podemos traçar uma relação com o fortalecimento da participação política facilitada pela internet e suas ferramentas. Diante desse advento, a distância entre cidadãos engajados e entre estes e o Estado estreitou-se, uma vez que a população deixou de ser apenas a receptora na comunicação com governo e passou a ser, também, emissora do discurso. Entretanto, o maior empoderamento da sociedade no cenário democrático brasileiro, diante da tecnologia, enfrenta como obstáculos a atual polarização política e a disseminação de notícias falsas.

Primeiramente, cabe dizer que a divisão hostil em duas ideologias políticas opostas impede a multiplicação de forças pelo bem coletivo. Esse fenômeno de autosegregação política é observado no Brasil, mais clara e violentamente, desde as eleições de 2014, quando popularizou-se as denominações “petralhas” e “coxinhas”. A partir de então, a força de organização popular propiciada, majoritariamente, pelas redes socias tem sido reduzida diante do fato de um “grupo” não apoiar ou verberar contra as ideias levantadas pelo outro “grupo” simplesmente por serem do outro. Assim, o ódio cego àquele que pensa diferente limita o potencial do meio digital como espaço de debates contrutivos.

Além da desagregação política a qual afasta as pessoas de opiniões opostas do ideal de união pelo bem comum, as Fake News também são um obstáculo ao debate democrático produtivo. A fim de corroborar essa visão, é válido citar o caso das eleições norte americanas, nas quais a grande disseminação de inverdades prejudicou a qualidade do julgamento de opção de voto por parte dos eleitores. Dessa forma, vemos que em um regime democrático indireto, no qual elegemos nossos representantes, muitas vezes, baseados em informações adquiridas no meio digital, como no Brasil, as Fake News são um obstáculo ao exercício consciente da cidadania - inerente à democracia.

Fica claro, portanto, que a cisão da sociedade por motivos políticos e a proliferação de notícias falsas enfraquecem o poder do povo em um regime democrático. Com o objetivo de minimizar essa problemática, as escolas podem incentivar a formação de grêmios estudantis. Isso pode ser feito mediante predisposição da diretoria a realizar reuniões mensais com os representantes e atender demandas, além de organizar as eleições e os debates. Assim, grupos que pensam diferentes serão estimulados a conversar e propor ideias em conjunto. Ademais, as instituições de ensino podem promover palestras mensais com jornalistas, a fim de que estes tragam aos alunos análises verdadeiras acerca do cenário atual e eles levem esse conhecimento a seus familiares.